A discriminação e o dedo.

A famigerada discriminação existe desde sempre, não importa em que época ela tenha sido usada, ela sempre deixa marcas profundas no corpo e na mente do apontado. Ano após ano, esta atitude vem se perpetuando em nossas vidas, tornando-se muitas vezes como um mantra, usado entre os donos da razão para tratar de forma injusta o outro.
Então fui em busca da palavra “discriminação”. Com origem no latim “discriminatio”, que significa “separação” ou “distinção”. Essa palavra era utilizada para se referir ao ato de separar ou distinguir coisas, ideias ou pessoas. Com o tempo, a palavra “discriminatio” passou a ser utilizada no contexto jurídico para se referir ao tratamento desigual de indivíduos ou grupos com base em suas características pessoais, como raça, gênero, religião, origem social ou qualquer outra característica protegida por lei. No português, a palavra “discriminação” foi introduzida no século XIX e ganhou popularidade no século XX, principalmente no contexto das lutas por direitos civis e pela igualdade social.
Recentemente revendo uns arquivos, encontrei vários artigos científicos e dentre eles um bem interessante, da Revista Direito em Foco (2018), com o título “O Preconceito e a Discriminação da Sociedade Ante os Estereótipos dos Criminosos, de Renata Romanelli e Wagner Boechat, onde logo na introdução dizia que se tratava entre os termos “preconceito, discriminação, estereótipo e criminalidade”, esbarrando-se no Direito Penal, ao mesmo passo que no Direito Humano e, em consequência, no Direito Constitucional. Então pensei, ‘mas não é isso que estamos vivendo nos dias atuais?’
Uma violência gratuita que começa com um simples olhar, sem fala nem gestos, depois a ação vai só aumentando, aí vem as palavras, os olhares que só faltam saltar da cara dos rotuladores, pois agora já não é só uma questão simples de gênero, mas também uma questão da sua religião, da sua origem, da sua sexualidade, do seu poder econômico, entre outros.
Muitos organismos lutam para que a discriminação deixe de existir, mas ainda não se chegou a uma sociedade que aceite todas as pessoas como são. Por isso, este tema continua vigente e se relaciona com educação, saúde, feminismo, inclusão, etarismo, trabalho, política, orientação sexual, etc. É preciso compreender, de uma vez por todas, que não é agindo desta forma negativamente que mudaremos o nosso planeta para um mundo melhor e, acredite, que a cada dedo apontado, ficam quatro voltados para você.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.




