CBF anuncia programa de profissionalização com árbitros contratados em 2026

O chefe de arbitragem da CBF, Rodrigo Cintra (centro), ao lado dos árbitros Ramon Abatti Abel, Wilton Pereira Sampaio, Marcelo Van Gasse e Raphael Claus — Foto: Divulgação/CBF
A CBF anunciou nesta terça-feira o programa de profissionalização da arbitragem brasileira. Ele já começa neste ano de 2026 para jogos do Campeonato Brasileiro da Série A. Os designados terão contrato de trabalho com a CBF de duração de um ano — são 20 árbitros principais, 40 assistentes e 12 árbitros de VAR neste primeiro ano.
A ideia é que esses 72 profissionais cubram todas as 380 partidas do principal campeonato do país – eles podem ser escalados eventualmente em jogos da Copa do Brasil e em rodadas decisivas da Série B. A lista para a atuação nos 10 jogos da rodada será atualizada a cada rodada, o que significa que vai interferir nas escalas das partidas.
A lista dos 20 árbitros profissionais é a seguinte:
- Alex Stefano
- Anderson Daronco
- Bráulio Machado
- Bruno Arleu
- Davi Lacerda
- Edina Batista
- Felipe Lima
- Flávio Souza
- Jonathan Pinheiro
- Lucas Casagrande
- Lucas Torezin
- Matheus Candançan
- Paulo Zanovelli
- Rafael Klein
- Ramon Abatti Abel
- Raphael Claus
- Rodrigo Pereira
- Savio Sampaio
- Wagner Magalhães
- Wilton Sampaio
A partir da aceitação — os árbitros podem recusar a designação e a CBF tem lista de suplentes —, os contratos serão firmados em fevereiro deste ano, o que faz o programa iniciar em 1º de março. Os profissionais serão contratados como pessoa jurídica. Pela natureza do contrato de trabalho, a CBF não pode exigir dedicação exclusiva, mas prioritária ao trabalho de árbitro, assistente e VAR.
Os salários fixos têm diferença por categoria, se é árbitro Fifa ou CBF, por exemplo. Os profissionais contratados também receberão por partida — como já acontece hoje — e ainda um bônus por desempenho. A CBF não vai divulgar os valores de cada categoria — em média, os 72 contratados terão vencimentos de cerca de R$ 13 mil mensais, mas o grupo de árbitros terá os maiores valores, acima de R$ 30 mil fixos.
A escolha dos 72 primeiros contratados obedeceu a três critérios:
- serem árbitros Fifa ou CBF
- mais escaladas na série A em 2024 e 2025
- nota média na avaliação de desempenho da CBF das temporadas 2024/2025
Promoção e rebaixamento
O programa de profissionalização é resultado de estudo de casos de outros países na Europa, como Alemanha, Inglaterra e Espanha, mas também de vizinhos latinos, como México. A CBF criou grupo de trabalho de arbitragem em novembro do ano passado — teve participação de 38 clubes das séries A e B, mas adesão menor em envolvimento direto (15 na série A e 9 na B responderam ao formulário enviado pela CBF). Consultores internacionais foram ouvidos e, claro, houve reuniões com árbitros.
A CBF aposta em quatro pilares para o desenvolvimento da arbitragem brasileira:
- remuneração: com salário fixo, cotas variáveis por jogo e bônus, além de “auxílio-academia”, entre outros serviços vinculados à atividade;
- excelência física e na saúde: com rotina semanal de treinos, os árbitros serão monitorados por smart watches que virá num kit exclusivo de trabalho da CBF. Também terão auxílio de nutricionista, psicólogos e fisioterapeutas. Além de quatro avaliações anuais que podem até vetá-los da escala por um “ciclo” entre as avaliações;
- capacitação técnica: a CBF vai promover imersões mensais, com aulas teóricas, testes e sessões práticas para o grupo. Serão treinadas tomadas de decisão e ações gerais de uma partida, com dinâmicas para padronização de critérios. Os profissionais terão retornos com análise de desempenho e de lances polêmicos em cada rodada;
- tecnologia e inovação: a CBF vai estrear o VAR semiautomático nesta temporada, mas ainda não tem previsão de início do uso da tecnologia. Outra novidade será a “refcam”, aquela câmera acoplada no corpo do árbitro para observar comportamento de atletas e inibir reações desproporcionais dos dois lados.
A CBF também vai usar o ranking de análise dos árbitros para promover nomes que se destacam no quadro nacional e “rebaixar” aqueles com pior desempenho. Este ranking não será público e as notas virão de avaliação de observadores e da comissão de arbitragem da CBF.
O que conta para a nota: o controle de jogo, a aplicação das regras e o desempenho físico. Estão previstos mínimo de dois “rebaixamentos” e dois acessos por ano.
fonte: ge



