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Cuba em colapso, na mira de Trump

Lixo acumulado nas ruas da capital: a coleta foi interrompida por falta de combustível – Foto: Ramon Espinosa/AP/Imageplus

Apagões de até 12 horas, postos sem gasolina e lixo acumulado nas ruas: Cuba vive um dos momentos mais críticos das últimas décadas.

Após a captura na Venezuela de Nicolas Maduro, em janeiro, e o bloqueio ordenado por Donald Trump ao envio de petróleo bruto venezuelano, a já frágil economia da ilha ficou ainda mais exposta, aprofundando uma crise nergética que afeta diretamente o cotidiano de milhões de pessoas.

Diante dessa situação, o governo brasileiro prepara uma doação de aproximadamente 21 mil toneladas de mantimentos ao país caribenho. A ajuda humanitária foi solicitada ao Brasil pelo governo cubano.

Outros países, como o México, também fizeram o mesmo.

O agravamento da crise fez com que o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, anunciasse, no início de março, que estava abrindo diálogo com os Estados Unidos.

Em seu discurso, Díaz-Canel disse que a prioridade do país é resolver o problema energético do país.

A escassez de combustível elevou à máxima potência uma profunda crise econômica que já dura anos e faz de Cuba uma nação onde atualmente falta tudo — inclusive esperança. “Todos os cubanos pensam em ir embora. Se pudesse me mudar para o Irã, eu iria”, desabafou, com o exagero dos desesperados, Marisol (que preferiu não dar o sobrenome), 28 anos, sentada na varanda da casa às escuras.

Mais de dois meses depois do início do embargo total, na segunda-feira 30, um navio russo transportando 700 000 barris de óleo recebeu a bênção de Donald Trump para atracar na ilha. “Não vai ter grande impacto. Cuba está acabada”, desdenhou o presidente americano. A carga deve aliviar por algumas semanas o sufoco energético, da mesma forma que uma flotilha humanitária internacional levando alimentos, remédios e outros itens essenciais pode amenizar os efeitos de um arcabouço social — transporte, educação, abastecimento, saneamento, saúde — em frangalhos.

Quedas de energia em todo o país têm sido relatadas com frequência nos últimos anos. Autoridades cubanas já atribuíram esses apagões às sanções econômicas dos EUA, embora críticos também apontem a falta de investimento no precário sistema de geração de energia da ilha.

Os preços dos combustíveis dispararam tanto que a gasolina pode chegar a custar US$ 9 (R$ 46) o litro no mercado paralelo, o que significa que encher o tanque de um carro custa mais de US$ 300 (R$ 1.555), valor superior ao que a maioria dos cubanos ganha em um ano.

“As autoridades do governo dos EUA devem estar muito satisfeitas com o prejuízo causado a todas as famílias cubanas”, disse o vice-ministro das Relações Exteriores de Cuba, Carlos Fernández de Cossío, em resposta aos apagões frequentes.

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