Erro em comunicado do Nubank envia e-mail sobre liquidação extrajudicial

Foto: Divulgação/Nubank / Estadão
O Nubank enviou um e-mail por canais oficiais aos seus clientes afirmando, de forma equivocada, que a instituição havia entrado em liquidação extrajudicial nesta sexta-feira, 12. Em nota, o Nubank confirmou o envio do comunicado, mas informou que se tratou de um erro operacional.
Segundo publicações no X, antigo Twitter, clientes compartilharam capturas de tela de e-mails e notificações no aplicativo informando que o banco teria sido liquidado pelo Banco Central e que clientes pessoas físicas com até 250 mil reais aplicados deveriam procurar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) passou recentemente por um dos maiores testes de sua história ao desembolsar dezenas de bilhões de reais para conter os efeitos da quebra do Banco Master. Nesta sexta-feira, 12, um erro operacional do Nubank, notificando clientes sobre uma suposta liquidação extrajudicial da instituição pelo Banco Central (BC), levantou uma questão no mercado financeiro e entre muitos brasileiros: o que aconteceria se o maior banco digital do país realmente quebrasse?
O aviso do Nubank de mais cedo mencionava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que protege investimentos em produtos de investimentos, e orientava clientes sobre como solicitar os valores garantidos pelo fundo, o que amplificou o tom de urgência da comunicação.
Diferente do Master, que tinha aproximadamente 1,6 milhão de clientes, o Nubank tem mais de 112 milhões, cerca de 61% da população adulta do Brasil. Com esse número, que faz do banco a maior instituição financeira digital privada do Brasil, a reserva bilionária do FGC não seria suficiente para pagar correntistas e investidores da instituição financeira.
O FGC tem patrimônio de R$ 123,4 bilhões, já refletindo o impacto direto da crise do Master, que exigiu uma provisão de R$ 40,6 bilhões para pagamento de garantias a credores de instituições liquidadas.
Para o economista e professor da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Hammoud, uma eventual liquidação do Nubank teria potencial para provocar efeitos muito mais amplos do que os observados no caso do Banco Master.
“Diferentemente do Master, que era um banco menor e tinha uma concentração maior em CDBs, o Nubank é uma instituição muito grande, pioneira no segmento digital e com uma base gigantesca de clientes. Uma liquidação extrajudicial poderia gerar um efeito de contágio em outras instituições financeiras, muito maior do que o observado no caso do Banco Master”, avalia.
Segundo o especialista, além do impacto sistêmico, o tamanho da base de clientes do Nubank tornaria inviável uma cobertura integral pelo FGC.
“Não seria possível para o FGC garantir todos os depósitos do Nubank. Há milhões de pequenos investidores que utilizam produtos como as caixinhas da instituição, que são lastreadas em RDBs. Com mais de 112 milhões de correntistas, o fundo não teria capacidade para cobrir uma eventual quebra dessa magnitude”, afirma.
Apesar das projeções, o economista ressalta que o episódio desta sexta-feira não representa qualquer risco real para os clientes do Nubank. “Felizmente, foi apenas um equívoco. Não há qualquer indício de que o Nubank esteja em situação de risco ou enfrentando problemas que possam levar a uma liquidação”, enfatizou.
O Nubank informou que o comunicado de mais cedo aos clientes foi um erro operacional pontual. Em nota, o Banco Central também reforçou que a informação não procede e que não existe qualquer processo de liquidação envolvendo a instituição financeira.
Regras do FGC
O FGC garante o pagamento de valores aplicados em determinados títulos e contas, como Certificado de Depósito Bancário (CDB), as Letras de Câmbio (LC), as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), e a poupança. O valor máximo garantido pelo FGC é de R$ 250 mil por CPF ou CNPJ.
Embora exista a garantia, o pagamento do FGC não é imediato. A empresa liquidante elaborará uma lista de credores que possuem ativos cobertos pelo FGC. A preparação e liberação da lista leva cerca de 30 dias. Com essa base concluída, o FGC abre oficialmente o processo de solicitação da garantia.
Se o produto for coberto pelo FGC, o cliente precisará apenas aguardar a liberação da lista de credores e seguir as orientações do próprio Fundo para receber. Já quem tem valores acima do limite de garantia passa a ser credor da massa liquidada.
O FGC não tem nenhum vínculo com o Governo. Ele é, na verdade, uma entidade privada e sem fins lucrativos que garante o pagamento ao credor caso a instituição financeira coberta pelo fundo não consiga honrar com os seus compromissos. Quem mantém o fundo são as próprias instituições financeiras brasileiras.



