Manifestante preso em protestos no Irã não vai ser executado, diz justiça

Erfan Soltani – Foto: Reprodução/Redes Sociais
O manifestante Erfan Soltani, de 26 anos, que, segundo ONGs, foi condenado à morte por sua participação nos protestos no Irã, está preso e não vai enfrentar a pena capital, afirmou o judiciário iraniano hoje.
Erfan foi preso por “conspirar contra a segurança interna”, crime para o qual não há pena de morte, disse o judiciário local. Ele também foi condenado por atividades de propaganda como o regime, disse o mesmo comunicado, citado pela mídia estatal.
Informação da mídia estatal iraniana acontece pouco após ONG afirmar que execução foi adiada. Mais cedo, a Organização Hengaw para os Direitos Humanos disse, citando familiares de Soltani, que o enforcamento, marcado para ontem, não aconteceu.
Mais cedo, Trump disse que ‘EUA receberam informações de que o Irã parou execuções’. A declaração ocorreu durante uma fala a jornalistas no Salão Oval da Casa Branca.
” Ouvimos que a matança no Irã parou e não há planos para uma execução ou execuções. Disseram-me isso de uma fonte confiável. Vamos descobrir. Tenho certeza de que, se acontecerem [execuções], ficaremos muito chateados.” – Donald Trump
Escalada de ameaças dos EUA
Declaração ocorre após Trump ameaçar governo iraniano. Ontem, o presidente norte-americano incentivou os manifestantes no Irã a manter o movimento e a derrubar as autoridades da República Islâmica, cuja repressão aos protestos já deixou cerca de 3.500 mortos, segundo a organização humanitária IHR (Iran Human Rights).
Donald Trump disse que considera fazer ataques aéreos contra o Irã para deter a repressão contra os manifestantes. A secretária de Imprensa Karoline Leavitt disse, no entanto, que o canal para a diplomacia segue aberto, e que, em conversas privadas com o enviado especial de Trump, Steve Witkoff, o Irã adotou um “tom muito diferente”.
No domingo, o republicano afirmou que o Exército dos EUA avalia medidas duras contra o país e chamou a morte de manifestantes de “linha vermelha”. Ele também afirmou que líderes iranianos pediram uma reunião, mas que os EUA podem agir antes disso.
Ontem, em publicação nas redes sociais, o republicano pediu que os cidadãos continuassem a protestar e “tomassem as instituições”. “Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto”, disse.
Em resposta, o embaixador iraniano na ONU acusou os EUA de incentivar a desestabilização política e “incitar a violência”. A declaração de Amir Saeid Iravani, na qual ele também disse que so EUA ameaçavam a soberania e a segurança nacional do Irã, foi divulgada em uma carta ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
No mesmo documento, Iravani também responsabiliza os Estados Unidos e Israel pela morte de inocentes durante os protestos recentes no Irã. “Os Estados Unidos e o regime israelense têm responsabilidade legal direta e inegável pela perda resultante de vidas civis inocentes, especialmente entre os jovens”, escreveu o embaixador na carta, que também foi enviada ao secretário-geral da ONU, António Guterres.
Quem é Erfan Soltani

Foto: Reprodução/Redes sociais
Erfan Soltani, 26, não é uma figura pública e nem um líder conhecido dos protestos. Não há registros públicos de atuação política organizada ou projeção anterior.
O jovem foi preso em 8 de janeiro, em casa, após participar de protestos na cidade de Fardis, próxima a Teerã. As manifestações começaram no fim de dezembro, inicialmente contra a inflação e o colapso da moeda local, e rapidamente ganharam caráter político, espalhando-se por diversas cidades do país.
Segundo os familiares, Soltani não teve acesso a advogado e nem a informações sobre as acusações formais. A família afirma que foi autorizada a visitá-lo apenas uma vez, por cerca de dez minutos, sem receber detalhes sobre o processo judicial ou os procedimentos adotados.
Grupos de direitos humanos alertam para o uso da pena de morte como instrumento de intimidação. Segundo essas organizações, o tratamento acelerado e pouco transparente do processo reforça o temor de que a punição extrema seja usada para conter a continuidade das manifestações.
Milhares morreram durante protestos
Em cinco dias, pelo menos 3.379 manifestantes morreram durante os protestos que tomam as ruas do país desde o fim de dezembro, de acordo com a Iran Human Rights Documentation Center. O dado da organização, que coleta informações a partir de fontes do Ministério da Saúde e Educação Médica da República Islâmica, é referente ao período do dia 8 ao 12 de janeiro.
No mesmo período, 121 membros de forças militares, policiais, judiciais e de segurança morreram, segundo noticiado pela mídia estatal iraniana. No início da semana, autoridades do país mencionaram “cerca de 2.000 mortos” em um primeiro reconhecimento de vítimas durante protestos.
Quantidade de mortes decorrentes de protestos pode chegar a 12 mil, segundo investigações publicadas pelo Iran Human Rights Documentation Center. A organização afirma que grande parte das vítimas tinha menos de 30 anos, incluindo estudantes.
No início da semana, autoridades do país mencionaram “cerca de 2.000 mortos” em um primeiro reconhecimento de vítimas durante protestos. À agência Reuters, uma delas disse que “terroristas” estavam por trás das mortes de manifestantes e do pessoal de segurança, sem detalhar mais sobre as vítimas.
fonte: uol



