A chuva, o sol e papel de bala.

De uns tempos para cá, mais precisamente dos anos de 1990 até hoje, venho observando com certo temor as mudanças climáticas que assolam o nosso planeta. Chuvas intensas que devastam cidades, lavouras, morros e acabam levando todo esse entulho para o litoral. Por outro lado, as altas temperaturas também são recorrentes ano após ano, com longas secas em locais que antes não havia, tais: nas cabeceiras dos rios, algumas cidades parecendo uma estufa abafada, e para completar reservatórios sempre abaixo do limite aceitável para garantir o mínimo de abastecimento à população.
Estudos científicos recentes comprovam que, parte destes problemas são causados por nós mesmos. Somos mal educados desde o colo de nossa mãe, crescemos vendo com certa naturalidade que, jogar lixo no chão, não dá nenhum problema e se sujamos é para dar serviços a quem limpa as ruas, ou seja, não assumimos os nossos erros.
As consequências disso atingem diretamente a nós mesmos. A poluição do solo e da água, o entupimento de bueiros, a emissão de gases poluentes são alguns dos inúmeros problemas que criamos diariamente, mesmo sem sair de casa. Fomos e ainda somos mal criados e infelizmente não tivemos bons exemplos dentro de nossas casas, salvo as exceções, é claro.
Em resposta a tudo isso, temos as cidades vivendo um verdadeiro caus. Quando vem os temporais, a chuva não é absorvida pelo solo, devido o mesmo ter sido compactado com asfalto, concreto ou grama sintética. No tempo seco, lá vem outro tormento: lagos e rios secando do dia para a noite, ar com baixa umidade e a poluição de combustíveis invadido nossas casas. Um verdadeiro terror, é viver entre o espeto e a brasa, e que se danem aqueles que têm doenças respiratórias.
Ainda bem que existem pessoas que sempre pensam mais a frente, e trazem soluções criativas como telhados verdes, corredores de vento e sombras obrigatórias nas calçadas. E trabalham para arborizar as ruas e as margens dos rios que atravessam as nossas cidades, resultado: uma cidade com melhor qualidade de vida e sustentabilidade.
Um ponto que pode também ajudar a mudar esse mau hábito, é a educação ambiental, pois sabemos que ela é um processo que forma cidadãos conscientes e críticos, além de promover práticas sustentáveis e a preservação do meio ambiente. Em relação ao papel de bala é melhor guardar no bolso e jogá-lo na primeira lixeira que encontrar e dar um bom exemplo de educação.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.


