A discriminação e o dedo.

A famigerada discriminação existe desde sempre, na época das cavernas as mulheres para sobreviver eram coletoras de frutas e vegetais e eram discriminadas, de certa forma, por não saber caçar animais selvagens usando utensílios feitos de pedra, pois eram pesados demais. Passados mais de trezentos mil anos, esta mesma atitude quase que se perpetua em nossas vidas, tornando-se como um mantra usado entre os machões de plantão para tratar de forma injusta alguém.
Veja que não se trata de ser homem versus mulher, mas se trata de como estes homens lidam com as suas rotinas diárias a não rotular de forma tão vil as mulheres, todavia nem todos conseguem. Afinal o que seríamos sem elas? Nossas maravilhosas genitoras, as sábias mestras, as amigas confidentes e tantos outros adjetivos que caberiam aqui.
Revendo uns artigos científicos, encontrei um bem interessante, da Revista Direito em Foco – Edição nº 10 – Ano: 2018, com o título “O Preconceito e a Discriminação da Sociedade Ante os Estereótipos dos Criminosos, de Renata Romanelli e Wagner Boechat, onde logo na introdução dizia que se tratava entre os termos “preconceito, discriminação, estereótipo e criminalidade”, esbarrando-se no Direito Penal, ao mesmo passo que no Direito Humano e, em consequência, no Direito Constitucional.
Então pensei, ‘mas não é isso que estamos vivendo nos dias atuais?’
É uma violência gratuita que começa com um simples olhar, sem fala nem gestos, depois a ação vai só aumentando, aí vem as palavras, os olhares que só faltam saltar da cara dos rotuladores, pois agora já não é só uma questão simples de gênero, mas também uma questão da sua religião, da sua origem, da sua sexualidade, do seu poder econômico, entre outros.
Muitos organismos lutam para que a discriminação deixe de existir, mas ainda não se chegou a uma sociedade que aceite todas as pessoas como são. Por isso, este tema continua vigente e se relaciona com educação, saúde, feminismo, inclusão, etarismo, trabalho, política, orientação sexual, etc. É preciso compreender, de uma vez por todas, que não é agindo desta forma negativamente que mudaremos o nosso planeta para um mundo melhor e, acredite, que a cada dedo apontado, ficam quatro voltados para você.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.




