Economia

Banco Central decreta liquidação da Reag, investigada no caso Master

Foto: Rubens Cavallari/Folhapress

O Banco Central do Brasil decretou hoje a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., nova denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., uma das empresas que integravam a Reag, grupo investigado no caso do Banco Master.

Reag distribuidora tem liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central. A empresa financeira que opera como corretora e distribuidora, a parte do grupo Reag que passou a se chamar CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., teve a liquidação extrajudicial decretada hoje pelo órgão regulador do mercado financeiro brasileiro.

Reag é citada nas investigações do Banco Master. Ao comunicar a decisão, o Banco Central afirmou que “a decretação da liquidação extrajudicial foi motivada por graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do SFN”.

“O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição.” – Banco Central, em nota.

Fundos da Reag foram usados em operações irregulares do Banco Master. A decisão de interromper as operações da corretora da Reag teve, entre os motivos, a identificação, nos fundos administrados pela empresa, de operações consideradas atípicas e sem fundamentação econômica conduzidas pelo Banco Master entre 2023 e 2024, com violação às normais legais e estatutárias.

Reag funcionava como peça na engrenagem do Master. Por meio de transações realizadas muito rapidamente, fundos da Reag faziam circular valores a partir de empréstimos do Master a empresas de fachada. Os recursos acabavam retornando ao Master, mas sobrevalorizados, por meio de aplicações em CDBs do banco, apontou o Banco Central em peças enviadas ao Ministério Público Federal.

Liquidação da Reag abre caminhos para investigações. Com a interrupção do funcionamento da empresa, o liquidante nomeado pelo Banco Central, a APS, terá acesso à toda a documentação dos fundos, aponta a colunista do UOL, Mariana Barbosa, destacando que outros agentes de investigação, como o Ministério Público Federal, também poderão acessar essas informações.

Balanço reporta R$ 47,1 milhões em ativos e R$ 41,6 milhões em aplicações financeiras. De acordo com o último balanço patrimonial da CBSF (antes chamado Reag), o patrimônio líquido da companhia em 30 de setembro de 2025 somava R$ 45,2 milhões. Já a linha final do balanço apontava prejuízo líquido de R$ 431,5 milhões no trimestre encerrado em setembro.

Dinheiro aplicado nos fundos fica bloqueado temporariamente. A liquidação extrajudicial da Reag, hoje chamada de CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., suspende o funcionamento e os resgates de recursos dos fundos administrados por essa empresa até que uma nova administradora seja definida pelos cotistas desses mesmos fundos.

Investigações

Ex-dono da Reag foi ontem um dos alvos da segunda fase da operação Compliance Zero, realizada pela Polícia Federal. Mansur já havia sido alvo da operação Quasar, que apura o uso de fundos de investimentos para ocultar e blindar patrimônio e lavagem de dinheiro por meio de operações irregulares na cadeia de combustíveis.

Antes disso, Reag fora alvo da operação da Operação Carbono Oculto, deflagrada pela Receita e outros órgãos em agosto do ano passado. A investigação visa desmantelar um esquema de fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. Além de postos, estão na mira várias empresas envolvidas na cadeia de importação, produção e distribuição.

Esquema contava com estrutura financeira para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Nela, conforme a Receita Federal, o PCC se utilizava de fintechs e de dezenas de fundos de investimentos. Cerca de 1.400 agentes participaram da operação.

Após ser alvo de investigações, Reag passou por mudanças. O controlador João Carlos Mansur deixou a companhia. Como parte da reestruturação, o negócio de gestão de recursos, por exemplo, foi separado da operação de corretagem e distribuição de valores.

Reag Investimentos também vendeu a gestora Empírica Holding para a SRM Asset, holding da Smart Hub. Segundo fato relevante enviado ao mercado financeiro em setembro, a operação tinha um custo de até R$ 75 milhões. A liquidação do Banco Central, então, atinge a corretora CBSF, mas não a gestora da SRM Asset.

Parte da Reag, vendida este ano, escapou da liquidação. Como parte da reestruturação que o grupo alvo de investigações vem fazendo desde ano passado, uma grande fatia da carteira do grupo que já era chamada CBSF teve o controle transferido. Em uma transação que começou em setembro do ano passado e concluída em 5 de janeiro último, a B100, holding da Planner Corretora, adquiriu da Reag quase todas operações da CBSF – Companhia Brasileira de Serviços Financeiros, cujo CNPJ é o de 52.270.350/0001-71. Nesse negócio, entretanto, ficou de fora a CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (antiga denominação de Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários), de CNPJ é 34.829.992/0001-86, que é a firma que teve a liquidação decretada pelo anco Central.

“Em relação à decisão do Banco Central do Brasil que decretou a liquidação extrajudicial da CBSF Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A. (DTVM), esclarecemos que a instituição liquidada não integra o escopo da aquisição realizada pela B100 Controle e Participações. A transação envolveu exclusivamente a companhia aberta, não incluindo a DTVM, que permaneceu sob a estrutura da holding original. Dessa forma, não há impacto para a Planner, para a companhia adquirida, nem para seus respectivos fundos, clientes, que seguem funcionando normalmente.” -Planner, em nota.

fonte: uol

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