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António José Seguro vence eleições presidenciais em Portugal

Seguro em seu primeiro discurso como presidente eleito de Portugal – Foto: Pedro Nunes/Reuters

António José Seguro, de 63 anos, do Partido Socialista, venceu as eleições presidenciais de Portugal neste domingo (8). Ele disputou o cargo com o candidato de direita, a posse será no dia 9 de março.

Duas pesquisas de boca de urna divulgadas após o fechamento das urnas – 19h do horário local e 16h em Brasília deste domingo (8) – já apontavam a vitória, prevista nas pesquisas de intenção de voto. A jornalistas, antes de seu pronunciamento oficial como eleito, Seguro afirmou:

O candidato de esquerda, que recebeu apoio dos candidatos de partidos de centro, recebeu 66,7% dos votos válidos contra 33,3% de André Ventura, do partido de extrema direita Chega.

Essa foi a primeira vez em 40 anos que Portugal teve um segundo turno nas eleições, o que reflete a fragmentação do panorama político.

A votação aconteceu no momento em que o país é tomado por tempestades, que levaram três câmaras municipais no sul e centro de Portugal a adiar as votações por uma semana devido às inundações. O adiamento afeta cerca de 37 mil eleitores registados, ou 0,3% do eleitorado.

Embora a presidência portuguesa seja um cargo em grande parte “cerimonial”, detém um peso político significativo em momentos de crise, uma vez que o chefe de Estado pode dissolver o Parlamento, destituir o governo, convocar eleições antecipadas e vetar legislações.

Seguro, fez seu primeiro pronunciamento como presidente eleito de Portugal, pouco depois da confirmação de sua vitória no 2º turno das eleições. Começou seu discurso expressando pesar pelas vítimas das tempestades que vem atingindo Portugal e falou sobre a responsabilidade do Estado em ajudá-las. Depois agradeceu quem superou as condições climáticas adversas para exercer sua cidadania e ir às urnas.

“Os vencedores dessa noite são os portugueses e a democracia”, afirmou o novo presidente, mandando também um recado ao adversário: “Como democrata, todos que concorreram comigo merecem meu respeito. Como futuro presidente, acrescento que a partir dessa noite deixamos de ser adversários e temos o dever partilhado de trabalhar para um Portugal mais desenvolvido e mais justo”.

Em seu discurso, ele afirmou que Portugal tem uma oportunidade única para que todos os poderes encontrem uma solução para os problemas enfrentados pelo país atualmente, como questões na saúde e os incêndios florestais.

“Serei o impulsionador dessa mudança, para a melhoria da vida dos portugueses”, disse. Ainda defendeu que a transparência e a ética são inegociáveis.

“Esperança não é ignorar os problemas, mas a certeza que temos capacidade de resolvê-los”, afirmou.

“Não vencemos estas eleições presidenciais, mas estamos a fazer história! Obrigado pela confiança”.

Apoiantes do candidato presidencial e socialista moderado António José Seguro reagem aos resultados das sondagens no dia das eleições presidenciais — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

Apoiantes do candidato presidencial e socialista moderado António José Seguro reagem aos resultados das sondagens no dia das eleições presidenciais — Foto: REUTERS/Pedro Nunes

António José Seguro tem 63 anos e é um político socialista de longa data.

Durante a campanha, ele posicionou-se como um candidato moderado que cooperará com o governo minoritário de centro-direita de Portugal, repudiando as diatribes anti-establishment e anti-imigração de Ventura, e conquistou o apoio de outros políticos tradicionais, tanto de esquerda quanto de direita, que desejam conter a crescente onda populista.

Apesar da derrota deste domingo, André Ventura, de 43 anos, segue em sua escalada de popularidade no país. O apoio crescente a ele e seu partido reflete a influência cada vez maior da extrema direita em Portugal e em grande parte da Europa.

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