Assessora econômica da campanha de Flávio, anuncia regra de dois anos para o fim da Bolsa Família

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Uma declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), provocou uma nova controvérsia na disputa presidencial. Em entrevista à rádio CBN Bahia, nesta segunda-feira (19), a ex-presidente da Caixa Econômica Federal afirmou que um eventual governo do senador pretende estabelecer uma regra de transição de dois anos para beneficiários do Bolsa Família.
A fala foi interpretada por integrantes da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) como uma indicação de que Flávio pretende limitar a permanência das famílias no programa social. O candidato do PL, porém, negou que tenha planos de extinguir o benefício.
“Quem está no Bolsa Família vai ter regra de transição, como teve na época do presidente Bolsonaro, de dois anos, para que possa abrir o seu negócio ou aceitar um emprego de carteira assinada”, afirmou Daniella.
A assessora explicou que a proposta também prevê o retorno automático ao programa caso o beneficiário não consiga manter sua nova fonte de renda.
“As pessoas não podem ficar presas para sempre no Bolsa Família. Aquilo é uma proteção, mas é um início de uma jornada”, declarou.
Declaração provoca críticas dentro e fora da campanha
Segundo o jornalista Igor Gadelha, do Metrópoles, a declaração de Daniella provocou insatisfação entre aliados de Flávio Bolsonaro, que consideraram inoportuno abordar possíveis mudanças no Bolsa Família a poucos dias do segundo turno das eleições, marcado para domingo (25).
Um integrante da campanha afirmou, sob condição de anonimato, que a fala poderia prejudicar o candidato na reta final da disputa.
“Ela não precisa dizer o que está dizendo agora”, afirmou o aliado.
A campanha de Lula também reagiu. Em uma publicação nas redes sociais, o PT acusou a equipe econômica de Flávio de planejar o desligamento de beneficiários do programa.
O conteúdo foi compartilhado pelo presidente Lula, ampliando a repercussão da entrevista.
Flávio Bolsonaro nega que vá acabar com o Bolsa Família
Diante das críticas, Flávio Bolsonaro publicou um vídeo para negar que pretenda encerrar o Bolsa Família ou estabelecer um prazo máximo de dois anos para todos os beneficiários.
“Ele está dizendo por aí que eu acabaria com o Bolsa Família em até dois anos. É óbvio que isso não vai acontecer, é óbvio que isso é mentira”, declarou o senador, em referência a Lula.
Flávio afirmou que sua proposta é permitir que beneficiários continuem recebendo o auxílio por um período de transição depois de conseguirem emprego com carteira assinada ou abrirem uma empresa.
Segundo o candidato, caso a iniciativa profissional não dê certo, o cidadão poderia retornar automaticamente ao programa.
Daniella Marques também divulgou um esclarecimento nas redes sociais, afirmando que a medida pretende ampliar a proteção das famílias durante o processo de aumento da renda.
O que mudaria no Bolsa Família?
Atualmente, o Bolsa Família possui uma regra de proteção que permite a determinadas famílias continuar recebendo parte do benefício mesmo depois de ultrapassarem o limite de renda exigido para participação no programa.
O mecanismo busca evitar que uma família perca imediatamente o auxílio ao conseguir um emprego ou aumentar seus rendimentos.
A duração da proteção depende das regras aplicáveis à família e da data de ingresso nessa condição.
Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, a proposta apresentada pela equipe econômica de Flávio prevê retomar o prazo de dois anos para essa transição.
A ideia, conforme a campanha, é estimular a entrada no mercado formal de trabalho e o empreendedorismo sem provocar a perda imediata do benefício.
A discussão, portanto, envolve o tempo de manutenção do auxílio para famílias que aumentam sua renda, e não um prazo anunciado para extinguir o Bolsa Família.
