Banco Master: Polícia Federal investiga indicios de gestão fraudulenta no BRB

Foto: Joédson Alves/Agência Brasil
A Polícia Federal abriu um inquérito para investigar a suspeita de gestão fraudulenta no Banco de Brasília – BRB, quue já é investigado em outro inquérito, do caso Master. A nova investigação tramita sob sigilo e já foi comunicada ao Supremo Tribunal Federal (STF).
A auditoria externa começou a ser feita no dia 2 de dezembro de 2025, a pedido da nova diretoria do BRB, que assumiu após a exoneração do então presidente do banco, Paulo Henrique Costa. As primeiras conclusões foram enviadas nesta terça-feira (3) pelo presidente do banco, Nelson Antonio de Souza, ao gabinete do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Os documentos apontam para uma informação nova: a de que o dono do Master, Daniel Vorcaro; o ex-sócio do Master, Maurício Quadrado; e o fundador e ex-executivo da Reag Investimentos, João Carlos Mansur, compraram ações do BRB como pessoas físicas e se tornaram acionistas do Banco de Brasília. São os chamados acionistas sem relevância: não têm poder de voto, porém cada um deles detém até 5% das ações do banco.
A compra teria ocorrido na gestão anterior, de Paulo Henrique Costa, que foi afastado judicialmente da presidência do BRB no mesmo dia da liquidação do Banco Master. Não há crime no simples fato de comprar ações. Mas a Polícia Federal decidiu abrir inquérito para saber por que não houve uma compra direta, fácil de rastrear. Segundo as suspeitas, os três investidores aparentemente usaram terceiros, pulverizando a compra a partir de vários fundos.
Em nota, o banco informou que entregou à Polícia Federal, na última quarta-feira (29), um relatório preliminar elaborado por auditoria independente contratada pela instituição. O mesmo documento foi encaminhado ao Banco Central (BC) nesta segunda-feira (2).
O BRB afirmou ainda que permanece com situação financeira sólida e destacou que a iniciativa de repassar os dados às autoridades tem como objetivo proteger seus interesses, recuperar créditos e ativos e buscar o ressarcimento de eventuais prejuízos relacionados à chamada Operação Compliance Zero.
Segundo o banco, diversas medidas institucionais, administrativas, extrajudiciais e judiciais vêm sendo adotadas em relação a fundos de investimento, garantias e carteiras de crédito adquiridas pela instituição. Parte dessas ações ocorre sob sigilo e, conforme o comunicado, novas providências devem ser tomadas para assegurar a preservação dos interesses do BRB.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), declarou que recebe as investigações com naturalidade. Já a defesa de Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, informou não ter conhecimento da abertura do inquérito.



