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Julio Casares é afastado da presidência do São Paulo após aprovação processo de impeachment

Julio Casares, presidente do São Paulo, afastado – Foto: Felipe Rau/Estadão / Estadão

Julio Casares está afastado da presidência do São Paulo. Em reunião nesta sexta-feira, 16, no Morumbis, o Conselho Deliberativo do clube aprovou o processo de impeachment do dirigente, que agora precisará de confirmação em uma nova instância.

Diante das acusações de má gestão orçamentária, venda de atletas abaixo do valor de mercado e uso irregular de camarote do estádio, 188 dos 235 conselheiros votaram pela saída de Casares.

Agora, o impeachment segue para uma assembleia dos sócios, que deve ser convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Olten Ayres. Nela, basta uma maioria simples para a destituição do presidente ser confirmada. Até lá, o vice, Harry Massis Junior, assume interinamente o comando do São Paulo.

Enquanto os conselheiros votavam no Salão Nobre, torcedores manifestaram sua imaginação do lado de fora do estádio, com faixas e cantos de “fora Casares”, “muito respeito com a camisa tricolor” e outros. 

O protesto também contou com um carro de som e dois caixões, um deles com a foto de Casares colada. De acordo com a Polícia Militar, equipes dos batalhões de Choque, Trânsito, Territorial e Regimento de Cavalaria foram deslocadas para o local.

Membros de organizadas do São Paulo se reúnem do lado de fora do MorumBis enquanto Conselho vota impeachment de Júlio Casares – Foto: Taba Benedicto/ Estadão

As manifestações já haviam começado na noite de quinta, na viitória sobre o São Bernardo, pela segunda rodada do Paulistão. Durante a partida, o presidente foi alvo de protestos por parte dos torcedores. Gritos de “Ei, Casares, vai tomar no c” e “Casares, quebra meu galho, sai do São Paulo e vai pra casa do caralh” foram entoados nas arquibancadas.

Faixas também foram exibidas em um setor da arquibancada ao fim da partida. Uma delas pedia pela saída do presidente e outra pela aprovação do impeachment.

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Julio Casares em reunião do Conselho

Julio Casares em reunião do Conselho – Foto: EDUARDO CARMIM/AGÊNCIA O DIA/AGÊNCIA O DIA/ESTADÃO CONTEÚDO

Os bastidores conturbados no Morumbis

Desde o fim de 2025, a gestão liderada por Júlio Casares começou a estampar as capas policiais. A principal acusação que envolve o nome do presidente aponta depósitos em espécie de R$ 1,5 milhão em sua conta corrente entre janeiro de 2023 e maio de 2025.  Por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine, a defesa do presidente são-paulino afirmou que “a origem e o lastro de tais movimentações serão detalhados e esclarecidos no curso das investigações – com a apresentação de provas, declarações e informações fiscais – justamente para rebater qualquer ilação que se fizer e, ainda mais porque não tiveram acesso o integralidade do inquérito policial”.

A Polícia Civil também identificou “manobras financeiras de alta sofisticação para a dissimulação de valores” em uma conta em nome de Deborah de Melo Casares, filha de Julio Casares. O relatório diz que as contas física e jurídica receberam um total de R$ 157,1 mil.

Sem ter o nome de Casares citado no caso, as autoridades analisam 35 saques em dinheiro em espécie feitos das contas do São Paulo, entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.

O primeiro caso a vir à tona envolve Mara Casares, ex-esposa do presidente são-paulino. Ainda no ano passado, áudios divulgados pelo ge mostram o dirigente Douglas Schwartzmann dizendo que Mara recebeu um camarote do superintendente Márcio Carlomagno e comercializou os ingressos para o show da Shakira, em fevereiro de 2024. O ato é considerado ilegal.

Em publicação em uma rede social, a ex-esposa de Casares afirmou que o áudio foi tirado de contexto, “traz uma conotação que não reflete a verdade dos fatos nem a minha intenção” e “em nenhum momento houve benefício pessoal”. Ela se afastou da diretoria feminina, cultural e de eventos do clube.

Também em dezembro, o UOL revelou que o médico Eduardo Rauen indicou um fornecedor irregular do medicamento Mounjaro a jogadores do São Paulo. As canetas emagrecedoras também eram comercializadas por R$ 5.599,00, valor acima do de mercado, que varia de R$ 1.523,06 a R$ 4.067,81.

Na época, o clube disse que “foram realizados tratamentos médicos individualizados, indicados de forma pontual após avaliações clínicas criteriosas em apenas dois atletas do time profissional, e não de maneira generalizada, contínua e indiscriminada”.

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