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Chuva intensa volta a atingir Juiz de Fora, e mais casas desabam e tem mais de 40 mortes

Deslizamento de terra atinge o bairro Parque Burnier, em Juiz de Fora – Foto: Gabriel Landim/TV Integração

A chuva voltou a cair com intensidade na noite desta quarta-feira (25) em Juuiz de Fora. Conforme a Defesa Civil, em alguns pontos da cidade o volume de chuva foi superior a 80 milímetros, alagando novamente ruas e avenidas.

Ao longo da tarde e da noite, vários alertas de perigo severo foram disparados via aparelho celular.

A Defesa Civil registrou o desabamento de uma edificação na Rua Tapajara, no Guaruá. Não havia informações sobre vítimas até por volta das 22h30. Pela tarde, houve novo deslizamento de terra no bairro Três Moinhos, onde três casas desabaram. Os imóveis já haviam sido evacuados e ninguém estava nos locais.

Uma casa também desabou na Rua Padre Café.

Avenida dos Andradas, Santo Antônio, Rio Branco, Itamar Franco, além de ruas São Mateus, Silva Jardim e várias outras ficaram tomadas pela água, que subiu muito rapidamente. Há relatos de transbordamento dos córregos Santa Luiza , no bairro Santa Luzia, e Humaitá, no bairro Industrial.

O volume do Rio Paraibuna chegou a 4 metros, obrigando o fechando da Ponte Vermelha, no bairro Santa Terezinha.

O Hospital de Pronto Socorro (HPS) teve alagamento, mas, segundo a Prefeitura, atingiu o subsolo, onde ficam instalados cômodos administrativos como refeitório e almoxarifado. “Todas as pessoas que atuam no subsolo foram evacuadas a tempo e não houve qualquer impacto sobre a estrutura hospitalar ou os atendimentos.”

Volume de chuva

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), o bairro mais afetado foi o Graminha, com 85,6 mm em 1 hora. Em seguida, os bairros registraram:

  • Cidade Universitária – 80,3mm
  • Centro – 63,2mm
  • Milho Branco – 61,68 mm
  • Nossa Senhora de Lourdes – 59,93mm
  • São Pedro – 58,55 mm

Até o momento, a chuva que cai na região desde o início da semana deixou dezenas de mortos e mais de 3.500 pessoas desabrigadas e desalojadas.

Mais de 40 mortes e quase 1 mi ocorrências

Entre as vítimas da tragédia estão uma técnica de enfermagem, socorrida com vida após permanecer mais de 15 horas sob os escombros, mas que não resistiu, e um policial penal, que morreu ao tentar salvar a esposa e outros moradores de um prédio.

Foram registradas quase 1.000 ocorrências no total em Juiz de Fora. Desse número, a maioria é de escorregamentos de talude, ameaças de escorregamento de talude e alagamentos. Cerca de 500 pessoas estão sem energia elétrica na cidade.

Juiz de Fora é a 9ª cidade com maior população em áreas de risco de enchentes e deslizamentos

Segundo um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Juiz de Fora é a 9ª cidade do Brasil com maior população em área de risco de deslizamentos, enchentes e enxurradas.

De acordo com o balanço divulgado em 2024 e válido até este ano:

  • População de Juiz de Fora: 540.756 habitantes
  • Pessoas que vivem em áreas de risco: 128.946
  • Percentual da população em áreas de risco: 23,7%
  • Áreas de risco: Deslizamentos, enchentes e enxurradas.

Investimentos do governo de MG em ações relacionadas aos impactos das chuvas têm redução de mais de 95% nos últimos 3 anos – Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

E diante da dimensão da tragédia, um dado preocupante. Dados do Portal da Transparência mostram que os investimentos do governo de Minas Gerais em ações relacionadas aos impactos das chuvas tiveram uma redução de mais de 95% nos últimos três anos. O programa que prevê iniciativas de prevenção, atendimento e recuperação passou de R$ 135 milhões em 2023 para aproximadamente R$ 6 milhões em 2025.

O governo de Minas declarou que, analisando todos os programas, realizou o maior investimento da história em proteção e defesa civil nos últimos anos, destinando mais de R$ 94 milhões a 494 municípios mineiros.

Em Juiz de Fora, em uma rua próxima a uma área onde houve um deslizamento de terra, os moradores de todas as casas receberam a orientação da Defesa Civil para que saiam e procurem abrigos. É uma medida preventiva, enquanto a região continua sob alerta de chuva.

fonte: g1

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