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Cidadão americano é morto a tiros por agente federal de imigração (ICE) em Minneapolis, nos EUA

Imagem de vídeo de testemunha de ação que terminou com um homem baleado e morto por agentes de imigração em Minneapolis, nos EUA – Foto: Reprodução

Um homem americano, de 37 anos, morreu na manhã deste sábado (24) em Minneapolis, no estado de Minnesota, após ser baleado por um agente federal de imigração dos Estados Unidos. O caso aconteceu durante uma patrulha do Departamento de Segurança Interna (DHS).

Minnesota tem vivido sob forte tensão com a intensificação das ações federais de imigração, envolvendo tanto agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) quanto outros agentes do DHS.

Há duas semanas, uma cidadã americana também foi morta a tiros por agentes do governo de Donald Trump. Na última terça, pelo menos quatro crianças foram detidas, uma delas usada como “isca” para tentar prender seus familiares.

O homem atingido neste sábado foi identificado como Alex Pretti, informaram a agência Associated Press e o jornal New York Times, com base no relato dos pais dele e de pessoas próximas.

Pretti era enfermeiro e trabalhava na unidade de terapia intensiva de um hospital em Minneapolis. Segundo colegas, era uma pessoa que gostava de ajudar.

Imagens do momento dos disparos mostram ao menos sete agentes tentando imobilizá-lo. Eles o derrubam no chão, e um deles faz os disparos.

Testemunhas ouvidas pelo jornal local “The Minnesota Star Tribune” disseram que Alex Pretti foi atingido várias vezes no peito. Ele morreu no local.

O Departamento de Segurança Interna dos EUA afirmou que o agente que efetuou os disparos agiu em legítima defesa, depois que o homem, armado, se aproximou da patrulha de fronteira.

O jornal The New York Times apontou que, apesar da versão oficial, imagens analisadas quadro a quadro mostram a vítima segurando apenas um telefone quando foi derrubada no chão e baleada pelos agentes.

Ainda segundo o jornal, a pistola que Pretti trazia escondida só foi encontrada depois que ele foi imobilizado, e os agentes efetuaram os disparos mesmo após ele já ter sido desarmado.

Em sua declaração oficial, a polícia de Minneapolis afirmou que Pretti era um cidadão americano, morador da cidade e possuía permissão para porte de arma. Ele não tinha antecedentes criminais. As autoridades de segurança também informaram que, além da pistola, ele carregava dois carregadores.

Em declaração a jornalistas, o governador de Minnesota, Tim Walz, criticou a atuação de agentes federais dos EUA, em meio ao aumento das tensões no estado. Mais cedo, ele já tinha classificado o caso como “ataque atroz”.

“Eles mataram um homem, criaram caos, derrubaram manifestantes, jogaram gás de forma indiscriminada e depois fomos deixados para limpar a bagunça”, disse ele.

O governador afirmou que realizou duas ligações com autoridades da Casa Branca após o caso. Uma delas foi com o chefe de gabinete do presidente Donald Trump, e incluiu um pedido para “tirar os agentes” da região. A segunda, disse ele, serviu para deixar claro que o estado investigará o tiroteio.

Também em pronunciamento, o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, questionou a ação que resultou em morte.

“Acabei de ver um vídeo de mais de seis agentes mascarados espancando um dos nossos constituintes e atirando nele até a morte. Quantos mais residentes, quantos mais americanos precisam morrer ou se ferir gravemente para que esta operação termine?”, declarou.

“Quantas vezes os líderes locais e nacionais precisam implorar a você, Donald Trump, para encerrar esta operação e reconhecer que isso não está criando segurança em nossa cidade?”, acrescentou.

Trump, por sua vez, usou as redes sociais para defender a atuação dos agentes federais e acusar autoridades locais de “incitar a insurreição”. Ele publicou a foto de uma pistola calibre 9 milímetros que, segundo autoridades policiais, estaria com o homem morto neste sábado.

“Deixem nossos patriotas do ICE fazerem seu trabalho! Doze mil criminosos ilegais, muitos deles violentos, foram presos e retirados de Minnesota. Se eles ainda estivessem lá, vocês veriam algo muito pior do que estão presenciando hoje”, escreveu o presidente americano.

Os disparos provocaram confrontos entre as forças de segurança e centenas de manifestantes, que criticaram a atuação dos agentes federais de imigração.

Diante do caso, a NBA adiou a partida entre Warriors e Timberwolves, que seria disputada no Target Center, no centro de Minneapolis, neste domingo (25).

Mulher coloca flores em local onde homem foi morto por agente de imigração em Minneapolis, nos EUA; protestos foram retomados depois da operação — Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

Mulher coloca flores em local onde homem foi morto por agente de imigração em Minneapolis, nos EUA; protestos foram retomados depois da operação – Foto: Evelyn Hockstein/Reuters

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