Diário de bordo.

Certa vez, me vi assistindo uns programas de canal pago, que tratava daquelas pessoas que decidiam sair pelas estradas do seu país, sem compromisso de horários, tanto funcionais como domésticos. Somente decidiram sair e criar o seu novo estilo de vida dentro dos seus home trucks ou motorhomes, como são chamados os veículos que combinam as características de um carro e uma casa.
Assim fiquei tão empolgado que comecei a aprofundar no assunto e descobrir fatos curiosos, tais: existem muitas empresas no ramo com seus vários valores e formatos da carroceria, potência veicular, do imobiliário, entre outros. É fato que a maioria dos vídeos que assistia tratavam de pessoas comuns, casais ou não, que decidiam dar um up na sua vida pré e pós aposentadoria. Uns pediam orientação a consultores de viagens, outros iam por conta própria. Estava hipnotizado de frente à tv.
E essa autossuficiência tem a ver com a personalidade independente de cada um, pois quem sabe se daqui a alguns anos eu possa me presentear com esse mimo. E a partir disso criar o meu próprio ‘diário de bordo’, e quem sabe até virar o pseudo da minha página nas redes sociais. Aí, meu amigo e minha amiga, ninguém me pararia – de novo, dado que estaria curtindo a recém chegada e tão esperada aposentadoria e, de quebra, conhecendo esse vasto Brasil, quiçá o mundo.
Agora imagine, uma pessoa escrever um diário de viagem – viajando literalmente, para fins de publicação, ou quem sabe, para escrevê-lo à posteridade? Eu fico totalmente em êxtase, minha mente fervilha. Já a minha família fica em pânico, porque para eles, ‘não tenho pique para tal aventura’, além de ser um risco de morte sair pelo mundo. Eu simplesmente me divirto com a ideia, que ainda não fora colocada no papel, e com os comentários deles, no grupo da família.
É de se prever que não é um sonho tão barato, mas segundo Carlos Vieira, do site Terra, “Esse tipo de veículo pode ser construído em chassi de uma van, caminhão ou ônibus, tornando uma mini residência. No quesito vantagem temos a liberdade de roteiro e a integração entre transporte e hospedagem, porém, as desvantagens vêm no tamanho do veículo dentro de cidades com ruas pequenas, o consumo de combustível e por fim, a manutenção constante da parte mecânica e a ‘residencial’”.
Enfim, se você tem um sonho, seja ele qual for, não demore e coloque-o em prática, pois o que é da vida senão uma enorme aventura diária, vento na cara e novas amizades.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.



