EUA de asfixia a economia de Cuba e a situação é crítica

Navio-tanque Pastorita, que navega sob bandeira de Cuba, chega ao porto de Havana – Foto: Yamil Lage / AFP
Cuba começou a aplicar novas medidas de emergência destinadas a economizar combustível para enfrentar o estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos, que está afetando duramente o cotidiano da população.
Nas ruas de Havana, o trânsito estava menor do que o habitual. No bairro central de El Vedado, as calçadas, normalmente cheias de moradores que saem para resolver pendências, estavam quase desertas.
As medidas anunciadas pelo governo na sexta-feira, que incluem a semana de trabalho de quatro dias para economizar eletricidade, o teletrabalho e o racionamento da venda de combustível a particulares, “são medidas de resistência”, disse ela à AFP, “para que o país não colapse”.
A Rússia afirmou nesta segunda-feira que a situação de combustível em Cuba é crítica e que as tentativas dos Estados Unidos de “asfixiar” a economia da ilha estão causando muitas dificuldades, comprometendo-se a agir contra qualquer tipo de intervenção militar e expressando a solidariedade de Moscou com Cuba e a Venezuela.
Cuba detalhou na sexta-feira seus planos para enfrentar o aprofundamento da crise, incluindo a proteção de serviços essenciais e o racionamento de combustível, enquanto o governo comunista endurecia sua postura em desafio aos esforços dos EUA para cortar o fornecimento de petróleo.
A administração do presidente dos EUA, Donald Trump, declarou Cuba uma “ameaça incomum e extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos e afirmou que o país não receberá mais petróleo da Venezuela após a operação norte-americana para capturar o ditador, Nicolás Maduro, no mês passado. Também ameaçou impor tarifas a outros fornecedores como o México, caso continuem a enviar combustível para a ilha.
Transporte mais caro
Desde segunda-feira, usuários de táxis privados notaram aumento no preço do serviço, que em alguns trajetos passou de 200 pesos (R$ 2,09) para 350 pesos cubanos (R$ 3,66).
A ilha comunista, com 9,6 milhões de habitantes, encontra-se em situação particularmente vulnerável após o fim do envio de petróleo da Venezuela, depois da derrubada de Nicolás Maduro em uma incursão armada dos Estados Unidos.
Situação crítica
“A situação em Cuba é realmente crítica”, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, ao informar que a Rússia mantém conversas com as autoridades cubanas para oferecer assistência.
Por sua vez, o chanceler Bruno Rodríguez afirmou que o objetivo de Washington “como sempre, é dobrar a vontade política dos cubanos”. “O cenário é duro e exigirá grande sacrifício”, declarou na rede social X.
Aviões sem querosene
Como sinal da gravidade da crise, as autoridades cubanas informaram às companhias aéreas que operam no país que o fornecimento de combustível ficará suspenso por um mês a partir da meia-noite de segunda-feira.
A medida obrigará as empresas que realizam voos de longa distância a fazer uma “escala técnica” para garantir o reabastecimento.
A companhia aérea Air Canada suspendeu hoje seus voos para Cuba devido à escassez de combustível na ilha, que enfrenta um estrangulamento energético imposto pelos Estados Unidos.
“Nos próximos dias, a companhia realizará voos sem passageiros para buscar cerca de 3.000 clientes que já se encontram no destino e levá-los de volta para casa”, informou a Air Canada em comunicado.
Além disso, o governo anunciou o fechamento de alguns hotéis com baixa ocupação e a realocação de turistas para outros estabelecimentos.
“Já estão fechando hotéis em Varadero”, principal balneário de Cuba, a cerca de 150 quilômetros a leste de Havana, “mas também em outras províncias”, comentou à AFP uma trabalhadora do setor que preferiu não se identificar.
Também houve redução dos serviços de ônibus e trens entre províncias, assim como dos dias letivos. As universidades passaram a funcionar a distância, como durante a epidemia de covid-19, ou em regime semipresencial.
As medidas devem permitir economizar combustível para favorecer “a produção de alimentos e a produção de eletricidade” e garantir “a proteção das atividades fundamentais que geram divisas”, declarou o vice-primeiro-ministro Oscar Pérez-Oliva Fraga, citando em especial o setor do tabaco.
As ações adotadas pelo governo cubano lembram as diretrizes aplicadas durante o “período especial”, a grave crise econômica que ocorreu após a queda da União Soviética, então principal fornecedora de petróleo de Cuba, em 1991.



