Falta debate antes de fechar supermercados aos domingos

A proposta de fechamento de hipermercados, atacarejos e supermercados aos domingos, no estado de Goiás, prevista para entrar em vigor a partir de 1º de abril, acende um alerta sobre os impactos econômicos e sociais de decisões patronal.
Uma medida que, antes de qualquer encaminhamento, exige cautela, estudo técnico aprofundado e, sobretudo, diálogo aberto com as entidades que representam o setor produtivo.
O comércio de gêneros alimentícios é uma atividade essencial que sustenta o abastecimento diário da população. Além disso, envolve outros segmentos, como a Ceasa, distribuidoras, transportadoras e milhares de trabalhadores diretos e indiretos.
Alterações tempestivas não afetam apenas os estabelecimentos, mas geram impactos na rentabilidade dos comércios, na manutenção de empregos e na arrecadação tributária dos municípios.
Em Aparecida de Goiânia, por exemplo, onde o comércio tem papel estratégico no fortalecimento da economia local, qualquer mudança estrutural no setor supermercadista precisa ser analisada com responsabilidade. O risco de prejuízos no abastecimento, no aumento de custos operacionais e eventual repasse ao consumidor não pode ser ignorado e tratado com superficialidade.
A Associação Comercial Industrial e Empresarial da Região Leste de Aparecida (Acirlag), do qual estou presidente, entende que a medida deve ser discutida de forma plural entre as partes envolvidas. Empresários, trabalhadores, representantes do poder público e entidades do setor econômico precisam sentar à mesa para avaliar os impactos reais e buscar medidas equilibradas e harmônicas. O alinhamento de objetivos é fundamental para que não haja prejuízos.
Não sou contra a possibilidade de ajustes regulatórios ou de novas diretrizes, contudo, defendo que a proposta que atinge diretamente um dos segmentos mais estruturantes da economia não pode prescindir de estudos de impacto econômico, social e fiscal.
Além disso, vejo que o momento exige sensibilidade. O Brasil ainda convive com desafios econômicos significativos – inclusive com a Reforma Tributária – e setor supermercadista tem sido um dos pilares na sustentação do emprego formal.
Mudanças podem gerar efeito cascata quando tomadas na forma isolada, comprometendo a geração de emprego e a sustentação de atividades econômicas.
O debate precisa ser qualificado, técnico e transparente. Goiás tem tradição empreendedora e capacidade para construir soluções equilibradas. O que não se pode admitir é que uma medida de tamanha relevância avance sem ampla discussão e sem a devida mensuração de suas consequências. Antes de fechar portas, é preciso abrir o diálogo.
Maione Padeiro é presidente da Associação Comercial Industrial e Empresarial da Região Leste de Aparecida de Goiânia (Acirlag)


