Governo debate saídas para lidar com alta do endividamento familiar

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pediu ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda informações sobre endividamento dos brasileiros para conter o avanço do endividamento das famílias e reduzir a pressão sobre o consumo.
Uma das principais ideias seria criar uma nova versão do Desenrola Brasil, programa que durou 10 meses (entre julho de 2023 a maio de 2024) e que focava na renegociação de dívidas das famílias. Só que, desta vez, seria um programa mais restritivo do que o anterior.
A iniciativa, descrita por integrantes do governo como um “Desenrola recauchutado”, surge em meio a dados do próprio governo que mostram que cerca de 70 milhões de famílias brasileiras estão endividadas.
O diagnóstico dentro da equipe econômica é de que o nível atual de comprometimento da renda já começa a afetar o consumo e pode se tornar um entrave ao crescimento em 2026.
Dados do Banco Central (BC) mostram que o endividamento das famílias se aproxima novamente do recorde histórico, alcançando cerca de 49,7% da renda no mês de janeiro, enquanto o comprometimento mensal com dívidas gira em torno de 30%.
Ao mesmo tempo, a inadimplência dá sinais de alta, refletindo o impacto prolongado dos juros elevados sobre o crédito. Atualmente, a taxa básica de juros, a Selic, está em 14,75% ao ano.
A ideia é permitir que consumidores possam quitar dívidas de maneira unificada em condições mais vantajosas, reduzindo juros e ampliando prazos de pagamento.
O desenho vem sendo discutido entre o governo federal e instituições financeiras, com a possibilidade de criação de faixas de renegociação mais ajustadas à cada perfil de renda.
Na segunda-feira (30), o presidente Lula recebeu representantes da Febraban (Federação Brasileira de Bancos), ABBC (Associação Brasileira de Bancos), Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), Zetta (Associação das Fintechs) e Acrefi (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento).
Em reuniões reservadas com ministros do Planalto, Lula tem demonstrado preocupação com fatores que podem agravar o cenário de inadimplência. Entre eles, o avanço de plataformas de apostas online e, especificamente, de jogos de azar, os chamados caça-níqueis online, como o jogo do tigrinho.


