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Irã sofre corta internet em meio a protestos contra o regime

Foto: Reprodução/Getty Images

O Irã nesta quinta-feira (8), cortou internet de acordo com a ONG NetBlocks, que monitora redes de telecomunicações no mundo “submetido atualmente a um corte da internet em escala nacional”, publicou no X a ONG de vigilância da segurança cibernética Netblocks, que se baseou em “dados em tempo real” e citou “uma série de medidas de censura digital […] contra as manifestações”.

A ONG, monitora redes de telecomunicações no mundo, num momento de crise política em que protestos contra o regime e as dificuldades econômicas ganham força em todo o país.

Relatos de moradores de Teerã e de outras cidades grandes, caso de Mashhad e Isfahan, indicam que manifestantes voltaram a ocupar as ruas, gritando palavras de ordem contra os líderes clericais da República Islâmica. As manifestações foram também incentivadas por Reza Pahlavi, filho do último xá do Irã deposto na Revolução Islâmica de 1979, que divulgou um vídeo nas redes convocando mais protestos.

Não foram divulgados detalhes sobre a extensão ou as causas da interrupção do serviço. A mídia estatal, por sua vez, afirmou que as cidades do país permaneciam calmas.

Esta é considerada a maior onda de protestos no Irã em três anos. As manifestações começaram no mês passado, quando comerciantes protestaram contra a rápida desvalorização do rial iraniano. Desde então, os atos se espalharam por todo o país, impulsionados pelo descontentamento com a inflação alta, atribuída à má gestão econômica, às sanções ocidentais e às restrições políticas e sociais.

Segundo a rede de ativistas Hrana, sediada nos Estados Unidos, ao menos 36 pessoas tinham morrido de 28 de dezembro a 7 de janeiro no país.

Diante do agravamento da crise, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, advertiu fornecedores domésticos contra a prática de estocagem e aumento abusivo de preços. Segundo ele, a população não deve enfrentar escassez de produtos, e o regime deve garantir o abastecimento e a fiscalização dos preços em todo o país.

O cenário ocorre sob forte pressão internacional, com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adotando um tom mais duro em relação às autoridades iranianas. Em entrevista a um programa de rádio conservador, Trump afirmou que o Irã será “atingido muito duramente” caso as forças de segurança passem a matar manifestantes.

“Deixei claro para eles que, se começarem a matar pessoas -o que tendem a fazer durante seus distúrbios-, se fizerem isso, nós os atingiremos muito duramente”, disse Trump.

A ameaça ocorre poucos dias após o ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela e cerca de sete meses após a ofensiva conduzida por Washington e Israel contra instalações nucleares iranianas, o que aumenta a tensão.

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