Mulher que sobreviveu após ser jogada de penhasco, conta os momentos de pavor, em MG

‘Sempre com a faca apertando muito meu pescoço’, conta mulher que sobreviveu após ser jogada de penhasco pelo ex-companheiro — Foto: Fantástico/ Reprodução
Ana Claudia Rodrigues é sobrevivente de uma tentativa de feminicídio. Na segunda-feira (25), o ex-companheiro Silvanildo Amâncio de Araújo jogou Ana Cláudia de um penhasco em Belo Horizonte. Era pra ser uma segunda-feira como outra qualquer na vida da Ana Cláudia. Ela não sabia, mas da porta da escola da filha até o trabalho, estava sendo perseguida pelo ex-companheiro.
“Eu desci do ônibus normal para chegar no serviço. Quando eu subi na rua lá, o carro dele vem de frente para mim. Quando eu tentei correr, ele já veio logo em seguida atrás de mim e me pegou: ‘Você vai entrar no carro e a gente vai ali só para a gente conversar’. Sempre com a faca apertando muito meu pescoço. Aí me levou até o carro, me coloca no carro, todo bem nervoso, bem agitado”, conta Ana Claudia.
As imagens que mostram o carro de Silvanildo Amâncio de Araújo entrando em um parque estadual em Brumadinho, na Grande Belo Horizonte, às 9h27 daquela manhã.
“Teve uma hora que eu falei para ele assim: ‘Você está me levando para me matar, né?’. Aí ele deu aquele sorriso cínico, assim. Ele falou: ‘Não, Cláudia. Eu não estou te levando para matar. Eu te amo’”, lembra Ana Cláudia.
A partir dali, começou o terror.
“Chegou lá… É para contar todos os detalhes mesmo? Até o que ele fez eu fazer nele? É muito ruim relembrar”, diz Ana Cláudia.

Ana Claudia Rodrigues é resgatada — Foto: Fantástico/ Reprodução
Foram duas horas de agressões. O plano de Silvanildo era jogar a ex-companheira de um penhasco – e ele queria ter certeza de que ela morreria.
“Ele ia próximo ao penhasco e falava assim comigo: ‘Aqui não, aqui não dá para você morrer’. Me puxava com força, próximo a outro ponto do penhasco, falava assim: ‘Aqui ainda não dá para você morrer’. Me puxava: ‘Não, não dá para você morrer’. Aí eu comecei a me debater com ele, só que eu não consegui nada”, conta Ana Cláudia.
Ana Claudia despencou 50 m paredão abaixo. Ela só pensava nos três filhos:
“Aquele momento ali eram os meus filhos, os meus filhos o tempo todo, todo, todo. Ali era o meu fim. Só que, mesmo na queda, parece que Deus estava tão presente na minha vida, que eu caindo, eu senti que eu não ia morrer”.
“Aquele momento ali eram os meus filhos, os meus filhos o tempo todo, todo, todo. Ali era o meu fim. Só que, mesmo na queda, parece que Deus estava tão presente na minha vida, que eu caindo, eu senti que eu não ia morrer”.
“Ela narra ciúmes e, em decorrência disso, ela já estava sendo agredida fisicamente, puxões de cabelo e ameaças. Porque ele narrou que ele é capaz de matá-la e se matar depois. Caso ele seja preso, quando ele sair, vai matá-la”, diz a delegada Gislaine Rios.
“É importante falar que o primeiro trimestre de 2026 foi o trimestre mais letal da história brasileira para as mulheres. A gente teve, de janeiro a março, 399 casos de feminicídios registrados no Brasil. Uma mulher a cada cinco horas sendo morta nesse país. Nenhuma mulher deve se separar do marido sem procurar uma rede de apoio. Um marido abusivo, um marido agressor, ele vai se vingar no momento dessa separação. Então, é importantíssimo que ela esteja acompanhada, que ela esteja orientada. A gente precisa de serviços socioassistenciais, a gente precisa de serviço jurídico, a gente precisa de serviço psicológico”, afirma a socióloga e psicanalista Marlise Matos, que coordena o Núcleo de Estudos sobre a Mulher da Universidade Federal de Minas Gerais.
fonte: g1




