“O Agente Secreto” vence prêmio de Melhor Filme de Língua Não Inglesa, no Globo de Ouro

Kleber Mendonça Filho e Emilie Lesclaux mostram Globo de Ouro por melhor filme em língua não-inglesa de ‘O agente secreto’ — Foto: Chris Pizzello/AP
Um ano após o fenômeno de Ainda Estou Aqui na temporada de premiações, o Brasil fez história mais uma vez no Globo de Ouro. O Agente Secreto levou o prêmio de Melhor Filme de Língua Não Inglesa neste domingo, 11, confirmando o favoritismo na corrida ao Oscar. Antes de levar a estatueta, o longa-metragem de Kleber Mendonça Filho já havia conquistado um recorde para o cinema brasileiro ao ser indicado em três categorias.
O filme brasileiro concorreu ao lado de outras produções que também chamaram a atenção ao redor do mundo, como Valor Sentimental, da Noruega, Foi Apenas um Acidente, do premiado iraniano Jafar Panahi, A Única Saída, da Coreia do Sul, Sirat, da Espanha, e A Voz de Hind Hajab, representante da Tunísia.
O filme que rendeu cerca de 13 minutos de aplausos na 78ª edição do Festival de Cannes se livra das velhas fórmulas “para gringo ver” e retrata o Brasil com ‘S’, como deve ser.
Lançado oficialmente nos cinemas em 6 de novembro, O Agente Secreto remonta o período da ditadura militar, o mesmo plano de fundo de Ainda Estou Aqui, seu antecessor na temporada de premiações.
Na obra dirigida por Kleber Mendonça Filho, no entanto, o cenário não é o Rio de Janeiro. Como já é característico do pernambucano, que assina filmes como Aquarius e Bacurau, o eixo “tradicional” é deslocado para o Nordeste brasileiro, mais especificamente a cidade do Recife.
É para lá que o personagem Marcelo, interpretado por Wagner Moura, se muda em 1977, durante a ditadura militar. Perseguido por assassinos de aluguel em São Paulo, o professor universitário se vê obrigado a retornar para sua cidade natal em busca de paz.

Foto: Reprodução
A volta para Recife, porém, não é tão tranquila quando ele imaginava. Em meio a uma tentativa de esquecer o passado, o protagonista enfrenta perseguição, uma rede de espionagem, paranoias e dilemas morais.
Tudo isso em um cenário cheio de referências culturais locais, como o tradicional Cinema São Luiz e a história curiosa do Perna Cabeluda, uma lenda urbana que circulou no Recife nos anos 1970. Segundo o mito, a perna humana, descolada do corpo, aterroriza os passantes no centro da cidade com rasteiras e ponta-pés.
Além da figura central de Wagner Moura como o protagonista da trama, O Agente Secreto também conta com nomes como Alice Carvalho, Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone e Tânia Maria, a carismática Dona Sebastiana.
O longa-metragem foi exibido pela primeira vez no Festival de Cannes, em maio de 2025. Antes dos ritos tradicionais e pompas da premiação, a passagem do elenco pelo tapete vermelho não foi nada convencional.
Ao lado da esposa, a jornalista e fotógrafa Sandra Delgado, Wagner Moura chegou arriscando passinhos de frevo e contagiou o elenco que o acompanhava. “É assim que o Brasil sobe o tapete vermelho do grandioso Festival de Cannes”, publicou o Ministério da Cultura nas redes sociais.



