Artigo Opinião

O celular e o R.H.

Vivemos em um ritmo acelerado, isso é notório, e um dos componentes que acompanha
esse frenesi é o indispensável celular. Com ele acordamos dando aquela olhadinha
matinal, antes mesmo do sol sair. O levamos ao banheiro, à mesa do café da manhã,
pegamos a nossa condução até onde temos que ir, seja à escola, ao trabalho ou mesmo
nas férias. Não o largamos para quase nada e quando ele some da vista, pronto! É aquele
‘deus-nos-acuda’. Porém, passado esse dia estressante no retorno para nossa casa muito
exaustos, mas com aquele restante de ânimo para dar aquela última olhadela na tela
vivaz para assim poder dizer ‘boa noite’ meu parceiro, durma bem, pois amanhã
repetiremos tudo novamente.
Sabemos que os aparelhos eletrônicos ganharam espaços em nossas vidas, já utilizamos
para estudar, fazer compras, trabalhar, saber das notícias, nos divertir, falar com os
amigos e familiares, entre várias formas desempenhadas por ele.
Todavia devemos nos atentar aos excessos, que vão além do recomendado, é quando a
rotina vira vício e impulsividade, ou seja, olhar repetidas vezes ao aparelho sem se quer
se dar conta da necessidade ou não. E isso ocorre de forma tão naturalizada, espontânea
que a pessoa nem nota o transe em que se encontra, principalmente dentro do ambiente
de trabalho, por exemplo.
Existem empresas que limitam o uso do celular, assim como as costumeiras saidinhas
para fumar na área destinadas aos fumantes, de acordo com essas empresas ambos
viraram um vício constante, onde o prestador de serviço, volta e meia sai do seu
ambiente de trabalho para dar aquela paradinha, fazendo com que a sua produção caia
em relação aos outros colaboradores.
De acordo com o professor de Psicologia Social, da Faculdade de Filosofia, Ciências e
Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP, Sérgio Kodato, “a tecnologia é
extremamente favorável para efeitos do desenvolvimento do País, todavia, temos uma
série de fatores que levam a um desequilíbrio nas situações de trabalho, entre os
aspectos pessoais e profissionais”.
É preciso que nós nos policiemos na hora de utilizar o aparelho dentro do ambiente de
trabalho, para que não tenhamos o dissabor de dar aquela passadinha no temido R.H. e
sermos surpreendidos com uma advertência, ou pior, a demissão.


Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.

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