Paulo Lica destaca força de Rio Verde e Jataí nas exportações de Goiás e compara produção de arroz com a Argentina

Durante participação no Jornal da Rádio Bons Ventos, analista internacional ressaltou a importância do agronegócio goiano para o comércio exterior e chamou atenção para a necessidade de ampliar a competitividade brasileira em diferentes cadeias produtivas
O analista internacional Paulo Lica destacou a força do agronegócio de Goiás no comércio exterior durante participação no Jornal da Rádio Bons Ventos 107,3 FM, apresentado pelo jornalista Danny Souza. Ao comentar os efeitos das recentes medidas tarifárias dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, Lica ressaltou que Goiás possui municípios com forte presença no mercado internacional, especialmente na produção e comercialização de commodities agrícolas e proteínas animais.
Entre os exemplos citados pelo analista estão Rio Verde e Jataí, municípios do sudoeste goiano que se destacam pela atividade agropecuária e pela participação nas exportações do Estado.

Dados de comércio exterior reforçam essa importância. Em 2025, Rio Verde movimentou cerca de US$ 1,89 bilhão em exportações, enquanto Jataí registrou aproximadamente US$ 596,3 milhões, colocando os dois municípios entre os principais polos exportadores de Goiás.
A força dessas cidades está diretamente relacionada à produção agropecuária e à presença de cadeias produtivas voltadas ao mercado internacional. Goiás, como um todo, registrou US$ 11,16 bilhões em exportações do agronegócio em 2025, crescimento de 9,6% em relação ao ano anterior. O setor respondeu por aproximadamente 83% das exportações goianas, segundo dados divulgados pela Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás.
A produção nacional também ajuda a dimensionar o peso do setor. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que a safra brasileira de grãos 2025/26 alcance 360,1 milhões de toneladas, novo patamar recorde, com crescimento de 2,2% sobre a temporada anterior. Soja, milho e outras culturas têm papel central nesse resultado.
Rio Verde e Jataí no mapa do comércio internacional
Para Paulo Lica, a dimensão das exportações goianas demonstra que as discussões sobre tarifas internacionais não ficam restritas aos grandes centros econômicos. Elas também atingem diretamente municípios produtores, empresas, trabalhadores e toda a cadeia logística responsável por levar produtos brasileiros aos mercados consumidores.
“Principalmente em Goiás, Rio Verde e Jataí são cidades que exportam muito para fora, para a China, para os Estados Unidos e para todos os países do mundo. Principalmente a questão da carne bovina, que nós somos um dos maiores produtores, se não o maior produtor, como somos da soja. Não dá para exportar arroz, nós somos fracos, mas a Argentina é muito forte na exportação”, afirmou Paulo Lica.
A declaração ocorre em um momento de atenção para o comércio exterior brasileiro. Em julho, os Estados Unidos anunciaram novas sobretaxas sobre parte das importações brasileiras. Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as medidas anunciadas em julho alcançam 23,1% das exportações brasileiras, enquanto 52,7% permanecem sem tarifas adicionais específicas contra o Brasil.
Arroz mostra diferença entre Brasil e Argentina
Ao abordar o arroz, Paulo Lica fez uma comparação entre a posição brasileira e a capacidade argentina de produção e exportação do cereal.
O Brasil possui uma produção expressiva de arroz, mas o produto tem características diferentes de commodities como soja e milho quando se trata de inserção no comércio internacional. Segundo o IBGE, a estimativa para 2026 aponta produção de 11,2 milhões de toneladas de arroz em casca. Apesar do volume, a produção representa queda de 11,4% em relação à estimativa de 2025.
Na Argentina, os números são menores em volume absoluto, mas o país possui uma cadeia arrozeira com forte orientação ao mercado externo. Segundo relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), a produção argentina na temporada 2025/26 foi estimada em 1,26 milhão de toneladas de arroz em casca, com produtividade média de 6,46 toneladas por hectare.
A comparação ajuda a explicar a observação feita por Lica: o Brasil produz muito mais arroz que a Argentina, mas o país vizinho possui uma participação proporcionalmente relevante no comércio internacional do cereal.
O cenário também mostra que produção e exportação são conceitos diferentes. Um país pode ter grande produção agrícola e, ainda assim, direcionar parcela significativa dela ao mercado interno. No caso brasileiro, o arroz é fundamental para o abastecimento doméstico, enquanto a soja, o milho e as carnes possuem uma participação muito mais expressiva na pauta exportadora.
Goiás diante das mudanças no comércio global
Para Paulo Lica, o cenário reforça a necessidade de Goiás manter e ampliar sua presença nos mercados internacionais, diversificando destinos e fortalecendo sua capacidade produtiva.
O Estado já possui uma pauta exportadora concentrada em produtos ligados ao agronegócio e à mineração, com destaque para carnes bovinas, soja, milho e derivados. A força de municípios como Rio Verde e Jataí contribui para conectar a produção do interior goiano aos grandes mercados consumidores internacionais.
O momento também evidencia a importância da diversificação comercial. Com mudanças nas políticas tarifárias dos principais mercados, produtores e empresas brasileiras ficam mais expostos às decisões tomadas por governos estrangeiros.
Nesse contexto, a capacidade de Goiás de produzir alimentos em grande escala e colocá-los no mercado internacional representa uma vantagem estratégica. A discussão levantada por Paulo Lica mostra que o comércio exterior não é apenas uma questão diplomática ou econômica, mas também está diretamente relacionado à realidade de cidades produtoras como Rio Verde e Jataí.
Fonte: Assessoria de Imprensa




