“Bets fazem muito mais mal à população do que jogo do bicho”, diz Gabriel David

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As bets fazem mais mal à população do que o jogo do bicho, avaliou Gabriel David, presidente da Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro), em entrevista ao Alt Tabet, programa do Canal UOL. Gabriel é filho do bicheiro Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija-Flor.
Questionado sobre as produções audiovisuais recentes sobre o jogo do bicho, David disse ver preconceito em torno da contravenção e comparou o acesso às apostas online com a dinâmica do jogo tradicional.
“Eu acho, sinceramente, que as bets fazem muito mais mal à população do que um jogo que existe desde Barão de Drummond, que é um jogo de passagem. As pessoas não têm acesso à hora que elas quiserem pra jogar, igual elas têm hoje em dia com uma bet.” – Gabriel David
Na conversa com Antonio Tabet, David afirmou que responder sobre o tema ‘é chato’, mas disse entender que a associação com o jogo do bicho vai continuar aparecendo por causa do pai.
“É chato, mas eu entendo que faz parte. Eu também não imagino que as pessoas vão parar de falar isso. Eu lido da forma que tem que ser. Mas, claro, se eu pudesse optar, eu preferiria não falar sobre o tema.” – Gabriel David
Ao falar das séries e documentários sobre o assunto, ele disse que deu entrevista para o documentário ‘Vale o Escrito’ e viu apenas o início de ‘Os Donos do Jogo’. Para David, o documentário o deixou mais “imerso” por trazer histórias que ele próprio não conhecia.
“Apesar de eu ser filho do meu pai, eu não conhecia 80% daquelas histórias que estavam ali. Primeiro porque eu nasci depois de quase todas elas que tinham sido contadas. Então por isso que eu acho que eu fiquei também tão imerso ali naquela história.” – Gabriel David
Na avaliação do presidente da Liesa, também pesa um olhar generalizante sobre quem se relacionou com o jogo do bicho. Ele disse que, quando uma pessoa ligada ao jogo cometeu atos vistos como ruins, isso acaba sendo estendido como se todos tivessem feito o mesmo.
“Eu acho que o jogo tem um preconceito grande da população como um todo. E também tem uma ideia de que todo mundo é a mesma pessoa. Então, se uma pessoa que trabalhou com o jogo fez diversas coisas que a população entende que é ruim, você traz como se todo mundo tivesse feito aquilo ali em conjunto e não necessariamente foi assim.” – Gabriel David
Questionado sobre o peso atual do jogo do bicho no financiamento das escolas, ele disse considerar “impossível” haver hoje uma fonte de renda ligada à contravenção. David afirmou que as agremiações têm contratos com empresas, patrocínios próprios e receitas das quadras para chegar perto do orçamento do desfile.
“Eu acho impossível de ter hoje uma fonte de rendas que tenha alguma relação com o Jogo do Bicho. As escolas hoje têm um faturamento muito significativo ao longo do ano. Elas têm diversos contratos com diversas empresas e multinacionais.” – Gabriel David
fonte: uol




