Brasil envia ministro da Defesa à Venezuela e prepara 5º voo humanitário

Foto: Imagem: Seaud/PR
O ministro da Defesa do Brasil, José Múcio Monteiro, deve participar amanhã de uma reunião na Venezuela para reforçar a ajuda humanitária do Brasil após os dois terremotos que causaram mais de 1.700 mortes no país. De acordo com o Planalto, um quinto voo humanitário também deve chegar à Venezuela nesta terça-feira.
Reunião entre o ministro da Defesa brasileiro, José Múcio Monteiro, e da Venezuela, Gustavo González López, está prevista para amanhã pela manhã. A missão inclui a vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês da Silva Magalhães, e o secretário nacional de Habitação do Ministério das Cidades, Augusto Henrique Alves Rabelo.
Governo brasileiro diz que a intenção é articular novos esforços de apoio humanitário. Plano é ajudar no atendimento aos desabrigados e na reconstrução das áreas atingidas.
Já o quinto voo humanitário decola da Base Aérea do Galeão, no Rio, com equipamentos para ampliar o hospital de campanha já em operação. O Planalto afirma que a expansão vai permitir internação simultânea de 20 pacientes, além de um módulo infantil e outro voltado a pandemias.
A aeronave fará escala na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, para embarcar cerca de 5,5 toneladas de insumos doados pelo Ministério da Saúde. Os itens incluem medicamentos e testes rápidos solicitados pelo governo venezuelano, e o Planalto diz que a doação não compromete o estoque do Sistema Único de Saúde (SUS).
Mais dois técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) entram na operação com equipamentos para localizar sinais de celulares sob escombros. A equipe leva analisadores de espectro e antenas direcionais de alta sensibilidade, usados para apoiar o salvamento de vítimas presas em estruturas colapsadas.
De acordo com a presidente venezuelana Delcy Rodríguez, em sua conta na rede social X, pelo menos 24 países já enviaram ajuda à Venezuela desde a última quarta-feira. “Recebemos apoio de 24 países da comunidade internacional, que enviaram 521 toneladas de suprimentos, 86 equipes caninas e mais de 2.741 membros de equipes de busca, resgate e apoio, que já estão integrados às nossas equipes”, disse. O balanço foi divulgado ontem.
Como foi a operação até aqui
Primeiro voo partiu na sexta-feira (26) com a primeira equipe de busca e resgate, formada por 44 profissionais. O grupo incluía bombeiros e especialistas, segundo o Planalto.
No sábado (27), dois voos levaram o hospital de campanha da Marinha, equipe médica, kits médicos e purificadores de água. O quarto voo chegou a Caracas ontem, às 23h (horário de Brasília), com mais 35 bombeiros de São Paulo e Minas Gerais.
Com o quinto voo, o Planalto afirma que o Brasil mobiliza equipes e materiais para manter a resposta humanitária. A lista inclui quatro especialistas de Defesa Civil, 71 bombeiros militares, seis técnicos da Anatel, cem purificadores de água (capacidade de 5.000 litros por dia cada), 6,5 toneladas de medicamentos e insumos de saúde e um hospital de campanha com 20 leitos, além de 93 militares da Marinha para operar a estrutura.
Terremotos devastadores
O primeiro tremor, de magnitude 7,2, atingiu San Felipe, a oeste de Caracas na quarta-feira. Dados do USGS (Serviço Geológico dos Estados Unidos) sugerem que ele pode ter aumentado a tensão em outra falha geológica próxima, a pouco mais de 5 km de distância.
Isso desencadeou um segundo terremoto de magnitude 7,5, apenas 39 segundos depois. O evento ocorreu a uma profundidade relativamente rasa e foi sentido até mesmo no norte do Brasil.
O primeiro abalo já havia enfraquecido estruturas e comprometido fundações. Já o segundo impacto, mais intenso, provocou desabamentos imediatos, sobretudo na capital, Caracas.


