Financiamento de Vorcaro para filme de Bolsonaro vira drama eleitoral para Flávio

Foto: Vitor Souza/AFP
“Apesar de você ter dado a liberdade, Daniel, de a gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando, tá? Mas, enfim, é porque tá num momento muito decisivo aqui do filme e como tem muita parcela pra trás, cara, tá todo mundo tenso e fico preocupado com o efeito ao contrário do que a gente sonhou pro filme, né?”
O caso Master virou material radioativo na política e, dada a extensa lista de personagens à esquerda e à direita enredados na teia de conexões de Daniel Vorcaro, está em curso uma disputa para tentar empurrar para o adversário o maior nível de proximidade, intimidade e envolvimento com o escândalo. O presidenciável do PL, Flávio Bolsonaro, se transformou no principal alvo dos últimos dias por de um enredo literalmente cinematográfico.
A história foi revelada por diálogos publicados pelo Intercept entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o ex-banqueiro. Mostrando intimidade com o interlocutor, o senador cobra dele parcelas atrasadas de um contrato de financiamento para um filme em homenagem ao pai. Desde novembro do ano passado, quando Vorcaro foi preso pela primeira vez, Brasília é cenário real de um thriller de suspense.
Até onde se sabe, não há prova de qualquer ilegalidade no negócio, mas o simples envolvimento de um candidato ao Palácio do Planalto com o ex-banqueiro preso por protagonizar uma das maiores fraudes de instituições financeiras na história do país foi suficiente para provocar um terremoto.
As investigações apontaram que o banco lançou mão de expedientes fraudulentos que deixaram um rombo no mercado superior a 50 bilhões de reais. Mais que isso: não há dúvida de que um golpe dessa magnitude só poderia ser concretizado com o apoio, a participação e a cobertura de gente influente, bem posicionada em órgãos e gabinetes ligados aos Três Poderes.
Ao longo dos meses, nomes importante da República foram conectados a histórias estranhas e nada edificantes junto ao banqueiro. Acuado, Vorcaro, que está preso desde março, negocia uma delação, na qual propõe revelar segredos em troca benefícios. Até agora, no entanto, não vem conseguindo emplacar o acordo.
A história de cinema envolvendo Vorcaro e Flávio Bolsonaro veio à tona na tarde da quarta-feira 13, um dia que começou tranquilo. Logo cedo, a Genial/Quaest divulgou nova pesquisa de intenção de votos na qual Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) aparecem de novo empatados nas simulações de segundo turno, mas desta vez com o petista numericamente à frente do rival.
Como parte de seu esforço para construir um figurino de moderado, o senador visitou no início da tarde o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para estender a mão ao diálogo e prometer que não apostará em atritos institucionais, como fez seu pai em 2022.
Já Lula, empenhado em melhorar o humor da população com o custo de vida, assinou uma medida provisória destinada a atenuar o impacto do aguardado reajuste dos combustíveis no bolso do eleitorado. Cada candidato jogava com as armas que tinha, e a disputa transcorria dentro do esperado. Foi assim até a reportagem do Intercept tornar secundários todos os movimentos políticos realizados ao longo do dia.
Fonte: Veja



