Política

Lula e Flávio viram principais alvo de Renan, Cury e Caiado trocam elogios

Foto: Raphael Campos/AGÊNCIA O DIA

No primeiro debate promovido pela TV Bandeirantes neste domingo (23), entre os candidatos à Presidência da República foi marcado pelas ausências de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo). Sem os três, o encontro ficou esvaziado, não teve bate-bocas e ficou concentrado no confronto entre Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), que, ao longo das duas horas, os candidatos adotaram estratégias diferentes para tentar convencer o eleitor.

Durante o debate, Ronaldo Caiado manteve um tom mais institucional e focado em propostas, embora também tenha criticado o governo Lula e “poupado” Flávio. Renan Santos, por sua vez, adotou uma postura mais agressiva e combativa, concentrando seus ataques em Lula e Flávio Bolsonaro, a quem chamou de “covardes”. Já Augusto Cury adotou um tom mais moderado e propositivo, defendendo que as críticas fossem direcionadas às ideias, e não às pessoas.

Lula recusou o convite porque reclamou do convite aos candidatos a Zema – que também reclinou — e Renan. A Lei Eleitoral não obriga que os dois sejam convidados. De acordo com as normas, as emissoras devem convidar para o debate candidatos de partidos que tenham ao menos cinco representantes no Congresso Nacional. O cálculo é feito a partir dos parlamentares eleitos em 2022, desconsiderando a migração durante a janela eleitoral.

Já Flávio Bolsonaro alegou que não estaria presente sem ter a possibilidade de discutir com o petista, com quem aparece tecnicamente empatado em um eventual 2º turno da divulgação da última pesquisa Datafolha, na sexta-feira, 21.

Ataques a Lula e Flávio e troca de convite marcam primeiro bloco

O primeiro bloco do debate presidencial da Band foi marcado pelo tom duro de Renan Santos, pela reação de Augusto Cury à agressividade do candidato e pela troca de afago entre Cury e Ronaldo Caiado.

“Tirando um pedaço dele [Lula], que é aquele eleitor que está no Bolsa Família, que ainda acredita que o Lula é a única fonte de comida dele, de maneira errônea, o eleitor restante que apoia esse cara está sendo canalha. Canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, declarou o candidato do Missão, que foi rebatido por Cury, que afirmou que se assusta com a agressividade do concorrente.

Ronaldo Caiado respondeu ao convite de Cury dizendo que pretende ser presidente da República, mas afirmou que o adversário poderia integrar uma equipe de governo voltada à saúde mental.

Segurança pública domina segundo bloco

O segundo bloco do debate presidencial da Band foi marcado pela discussão sobre segurança pública, com Ronaldo Caiado, Renan Santos e Augusto Cury apresentando propostas e visões diferentes para o combate à criminalidade.

Caiado criticou a política de segurança do governo Lula e afirmou que o Brasil vive “em clima de guerra”. O candidato defendeu o uso de inteligência artificial, a integração das forças de segurança e medidas mais duras contra o crime organizado. “Me dê um mandato de presidente da República, que você vai ver que bandido não vai mandar em um palmo desse país”, declarou.

Renan Santos também adotou um tom duro e voltou a atacar o PT, acusando o partido de tentar concentrar o controle das polícias no governo federal. O candidato defendeu medidas como estado de defesa e GLO em regiões dominadas pelo crime organizado e citou estados como Rio de Janeiro, Ceará e Bahia.

Augusto Cury, por sua vez, apresentou uma abordagem mais voltada à prevenção e às políticas públicas de segurança. O candidato reforçou a necessidade de enfrentar a violência sem deixar de lado questões sociais e manteve a postura mais moderada adotada desde o primeiro bloco.

Educação e propostas marcam terceiro bloco

O terceiro bloco do debate foi marcado pela discussão sobre educação, ensino técnico e preparação dos jovens para o mercado de trabalho, além de novos ataques de Renan Santos a Lula e Flávio Bolsonaro. Augusto Cury defendeu uma transformação no modelo educacional e criticou a ausência de Lula, enquanto Caiado apresentou resultados de sua gestão em Goiás na área de educação e tecnologia.

Cury afirmou que “a educação enfrenta o caos” e defendeu uma mudança na forma de ensinar, com maior atenção ao desenvolvimento do raciocínio, da autonomia e das habilidades emocionais dos estudantes. Ao falar sobre a situação, voltou a cobrar a presença de Lula: “Você tinha que estar aqui para responder o caos que está a educação”.

Na sequência, Cury questionou Caiado sobre a expansão do ensino técnico para os jovens. O candidato do PSD destacou ações realizadas em Goiás e afirmou ter criado a primeira universidade de inteligência artificial do Brasil, além de citar parcerias com instituições e empresas de tecnologia.

No confronto seguinte, Caiado voltou a criticar Lula e Flávio pela ausência no debate e defendeu que candidatos sejam obrigados a participar dos encontros eleitorais. Renan Santos concordou com a proposta, mas aproveitou a resposta para atacar Flávio, a quem chamou de “fraco” e afirmou ter “gravíssimos déficits cognitivos”.

Tumulto de Cury, surpresa de Renan e o apelido dado por Caiado a Lula e Flávio

Antes do debate, teve de tudo na chegada dos candidatos. Augusto Cury causou um tumulto ao decidir, inicialmente, não entrar na emissora para participar do debate. A imprensa aguardava o candidato na área reservada aos presidenciáveis, mas ele optou por fazer uma transmissão do lado de fora, justificando a decisão pela insatisfação com a polarização política. Durante a transmissão, o empresário Pablo Marçal também apareceu e criticou a realização do debate no mesmo horário de uma entrevista de Lula à Record. Após o protesto, Cury voltou atrás e decidiu participar do encontro. 

Ronaldo Caiado chegou à emissora criticando a ausência de Lula e Flávio Bolsonaro e afirmou que os dois “deram um tiro no pé” ao não comparecerem ao primeiro debate. Para o candidato do PSD, a decisão representa “uma afronta, um desrespeito à sociedade brasileira”. Questionado se estava disputando a eleição contra os dois, Caiado respondeu que não considera os adversários como concorrentes e os classificou de forma irônica: “Eu não disputo com fujões”.

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