A arte da anedota.

Interpretar algo engraçado, é para poucos, a arte da anedota não é pra qualquer um, apesar de que atualmente temos um tanto de pessoas engraçadas, mas que não são humoristas, apenas repetem a piada decorada sem sal e sem açúcar, um verdadeiro picolé de chuchu. Cobram caro a apresentação em salas intimistas ou anfiteatros.
Contar uma piada, depois várias piadas e segurar um público rindo sem parar é ter o dom de usar a ferramenta para a diversão e conexão, seja familiar ou em uma plateia. A contação de anedotas pode tropeçar em alguns erros comuns que acabam diminuindo o impacto do humor ou, pior, causando o constrangimento a quem as escuta, isso volta e meia acontece.
Daí puxo pela memória figuras lendárias, famosas por suas performances no palco, como os saudosos Costinha, Ronald Golias e Ary Toledo, aos mais jovens artistas como Bussunda, Cláudia Jimenez e Paulo Gustavo, sem esquecer dos mestres Chico Anysio, Jô Soares e Agildo Ribeiro. O Brasil sempre foi e será um celeiro de contadores de piadas, um exemplo disso, dentre tantos outros, é o estado do Ceará de onde emanam vários artistas com essa veia do humor.
A arte de fazer sorrir não é fácil, pelo contrário, requer técnica, aprimoramento e respeito por quem a ouve. O comediante tem que observar, escutar e, muitas vezes, colocar-se no lugar do outro para entender a fonte do humor. E por favor, não queira tentar explicar a piada, pois muitas vezes elas são tão curtas e diretas que dispensam explicações fazendo com que percam seu charme e enredo.
Existem comediantes que só de subir no tablado, a plateia já vem às gargalhadas, e isso se define que até calado, o bom humorista faz o público rir, enquanto outros tentam, em um momento de desespero colocar o humor no apelo ou no deboche, beirando o politicamente incorreto. Esse tipo de abordagem é comum na sabedoria popular, onde a piada é vista como uma forma de entretenimento que não requer compreensão prévia para ser apreciada.
A maioria delas são baseadas em situações reais do cotidiano familiar, das gafes de algum amigo, da sua infância, ou de situações do dia a dia comum e de pessoas comuns. A forma de recontar estas passagens é que torna um artista ser melhor, ou pior, do que o outro, mas tem que ter o tino da forma que irá abordar o seu público, que vai até aos bares, pubs e teatros em busca de algo novo do mesmo, porém, que seja inteligente, persuasivo e engraçado, afinal a plateia merece respeito, mesmo em momentos que tendem a ser engraçados.
Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.
