A fé, a cura e o boneco.

Na maioria dos dicionários, por onde olhei, o significado de fé diz-se um substantivo
feminino e de convicção intensa e persistente em algo abstrato que, para a pessoa que
acredita se torna verdade, ou seja, uma crença.
Vejo aí uma perfeita explicação, mas os questionamentos envoltos sobre esse tema vão
além dessa pífia explanação.
Existem aqueles que não acreditam em todo esse potencial da fé, são os incrédulos, ou
seja, aqueles que têm a qualidade de quem não acreditam em algo, ou ainda, o indivíduo
que não tem fé religiosa.
Porém, existem aqueles fervorosos que colocam toda a força de sua fé, através do seu
pensamento direcionado a um determinado assunto ou situação, como a cura de um
problema de saúde, por exemplo.
É sabido que, para quase tudo, se tem uma explicação, seja ela de maneira cética ou na
forma teísta, o homem paira por esses dois polos, quer de forma declarada, quer de
forma introspectiva, silenciosa.
Entretanto, a fé cura tudo? Os médicos defendem que sim, segundo alguns ‘ela pode
ajudar muito no tratamento e cura de doenças, basta acreditar’. Então quer dizer que só
a fé cura?
Para a Organização Mundial da Saúde (OMS) a espiritualidade tem como um fator
positivo na saúde psíquica, social, biológica e de promoção do bem-estar do ser
humano, levado ao autoconhecimento e a aceitação proporcionada pela fé, afirmam os
especialistas.
Provoca mudanças nos hábitos, tais: melhora na alimentação, a prática de alguma
atividade física, equilíbrio nos pensamentos e atitudes e por aí vai.
Os que se dizem crentes, aqueles que crêem verdadeiramente, a fé cristã professa uma
crença sem reservas na Bíblia, a Palavra de Deus para a humanidade – a verdadeira, a
testada e imutável e sim, a Palavra salva você, eu e todos e todas àquelas pessoas que
acreditam.
Mas existem os descrentes, aqueles que não possuem fé religiosa e não acreditam e nem
creem em algo ou alguém, são céticos e possuem muita dificuldade para discutir o tema
com o outro que se opõe, além de duvidar da veracidade de uma coisa ou situação.
Quem engana a fé daqueles que a praticam diariamente ou os homens que utilizam da fé
da população para enganar, surrupiar e se dar bem com o dinheiro doado às obras?
Infelizmente existe uma pequena parcela de religiosos que não conseguem ver o
dinheiro como uma oferta direta ao Santíssimo e acha que também tem o direito de
meter a mão nesse montante, a partir daí o que temos visto nos noticiários são
escândalos de todas as formas, seja utilizando o seu poder de influência por ser uma
autoridade na cidade ou vilarejo, seja abocanhando os dízimos e ofertas, uma verdadeira
vergonha desse mau exemplo. E daí vou lembrando as estorinhas do boneco Pinóquio,
mentindo, mentindo…
E nós como ficamos? Esperando que ela cure esses homens doentios, os salve desses
pecados tentadores e não caiam mais em tentação ou continue enganando a eles
mesmos, porque a ira divina tarda, mas não falha. Eu creio.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.



