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Abelardo de la Espriella, é eleito presidente da Colômbia em apuração preliminar

Candidato de direita Abelardo De La Espriella gesticula entre apoiadores durante 2º turno das eleições presidenciais da Colômbia em Barranquilla, na Colômbia, em 21 de junho de 2026 — Foto: REUTERS/Jair Coll

Abelardo de la Espriella, advogado de 47 anos e empresário sem experiência política, venceu a apuração preliminar para presidente da Colômbia neste domingo (21). Espriella, considerado de extrema-direita, superou o senador Iván Cepeda, de esquerda, por menos de 250 mil votos.

Em um vídeo, de la Espriella celebrou a vitória vestido com a camiseta da seleção colombiana e defendeu acordos com os Estados Unidos para combater o crime organizado. “Hoje, a Colômbia venceu o seu jogo mais importante”, afirmou.

A contagem definitiva dos votos deve ocorrer nesta segunda-feira (22). Caso tenha a vitória confirmada, Espriella assumirá a presidência em 7 de agosto.

Quem é Abelardo de la Espriella?

Apelidado de “El Tigre”, Espriella nasceu em Bogotá em 1978. Ele é casado com Ana Lucía Pineda Aruachan e tem quatro filhos. Abelardo é cantor do vallenato, música folclórica tradicional da região.

O empresário conquistou o eleitorado se apresentando como um “salvador anti-establishment” e repetiu promessas de campanha de nomes da extrema direita da América Latina. Ele venceu o primeiro turno com propostas linha-dura para combater o crime organizado, cortar programas governamentais e impostos e revitalizar a exploração de petróleo.

Espriella fundou a De La Espriella Lawyers Enterprise, um escritório de advocacia empresarial conhecido no país. Além de advogado, Abelardo possui um vasto império empresarial que inclui vinhos, rum, roupas e imóveis.

Espriella já foi criticado por representar legalmente Alex Saab, que enfrenta acusações nos EUA de lavagem de dinheiro para o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro. Ele também representou pessoas ligadas a escândalos de corrupção, desvio de verbas e paramilitares de direita, e afirma que suas relações profissionais como advogado não envolvem qualquer cumplicidade ou crime.

O triunfo do direitista de la Espriella representa uma guinada no país após o governo Petro, primeiro presidente de esquerda da hístória da Colômbia. Abelardo é filiado ao Movimento de Salvação Nacional (MSN), um partido político colombiano de extrema-direita fundado em 1990 por Álvaro Gómez Hurtado, assassinado pela Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farcs) em 1995.

Abelardo De La Espriella — Foto: Charlie Cordero/Reuters

Espriella também é cidadão naturalizado da Itália e dos EUA, já viveu em Miami e é filiado ao Partido Republicano, o mesmo de Trump.

Admirador das políticas adotadas por Trump e pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, o candidato ultradireitista prometeu uma ofensiva militar e a construção de 10 megaprisões.

“No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei”, afirmou Espriella durante a campanha.

discurso do candidato da direita foi o que mais ecoou no eleitorado no primeiro turnoPesquisas de opinião vêm apontando a violência como o principal fator de preocupação entre colombianos, à frente da economia – fragilizada pela pandemia e pelo aumento do déficit fiscal, apesar de o atual governo aumentar o salário mínimo nominal em 75% e reduzir o desemprego.

Espriella culpa Gustavo Petro, atual presidente do país, pelos problemas econômicos e de segurança da Colômbia e prometeu reduzir o tamanho do Estado em 40%, ampliar a base tributária e cortar os impostos corporativos para promover o emprego no setor privado.

Entre os s´mbolos utilizados pelo empresário durante a campanha está a camisa da seleção colombiana, que também se tornou um símbolo da direita no país. Muitos de seus apoiadores votaram no primeiro turno vestindo camisas com os nomes de craques da seleção, como James Rodríguez e Luis Díaz.

Apesar de não ser militar, toda vez que Espriella termina uma intervenção, leva a mão direita ao cenho, baixa rapidamente e grita: “Firme pela pátria!”. Isso serviu de inspiração para os apoiadores prestarem continência como saudação.

Apoiador de Espriella leva tigre de pelúcia a comício — Foto: Reuters/Cesar Quiroz

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