Economia

BC condiciona manutenção de corte dos juros a projeções futuras da inflação

Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) divulgou a ata com as razões para ter reduzido a taxa básica de juros da economia brasileira para 14,25% ao ano em sua última reunião. No texto, os diretores da instituição condicionam a manutenção do ciclo de cortes da taxa Selic ao retorno das expectativas de inflação para a meta.

BC não sinaliza manutenção do ciclo de cortes da taxa Selic. A ata do Copom menciona que o “forte aumento da incerteza” exige “serenidade e cautela” nos próximos passos de condução da política monetária. Para isso, a autoridade monetária avalia a necessidade de observar a evolução dos preços da economia.

“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a assegurar a convergência da inflação à meta.” – Ata da 279ª reunião do Copom

Copom associa próximas decisões às expectativas para 2028. Os diretores do BC afirmam que as atenções para o ciclo da taxa Selic serão guiadas pela inflação projetada para o último trimestre de 2027, “horizonte relevante” estabelecido para a condução do IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) à meta. “As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes”, diz a ata.

Guerra no Oriente Médio e chegada do El Niño ampliam incertezas. Na avaliação do BC, os próximos passos da política monetária não podem ser motivados pelas “variações de preços decorrentes de choques de oferta”, que interferem na evolução dos preços. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirma o Copom.

Autoridade monetária sinaliza piora recente da inflação no Brasil. O Copom reconhece um “distanciamento” das expectativas de inflação em relação à meta para os próximos anos, mas alerta para a “falta de clareza” sobre a trajetória das projeções apresentadas pelo mercado financeiro.

“O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo.” Ata da 279ª reunião do Copo.

Mercado financeiro vê fim antecipado do ciclo de corte de juros. A mediana das projeções mais recentes dos analistas indica que o Copom vai encerrar a trajetória de queda da taxa Selic com o último corte de 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, na reunião de agosto. Em janeiro, as estimativas sinalizavam que a taxa de juros terminaria 2026 em 12,25% ao ano.

Selic é o principal instrumento monetário para controlar a inflação. O encarecimento do crédito é o principal objetivo de manter os juros em um nível elevado. Com o dinheiro mais caro, a demanda por bens e serviços tende a diminuir e, consequentemente, segurar o avanço do IPCA, principal índice inflacionário do Brasil.

fonte: uol

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