‘Esporte pode caminhar com a educação’: fundador de ONG revela reação após Abel Ferreira divulgar presentes de alunos

Fonte: Reprodução/Instagram/@coacha
Presente ao treinador do Palmeiras levou os holofotes à Sementes do Vale, entidade que promove a educação para jovens no sertão mineiro
A defesa da educação é uma das principais bandeiras do Abel Ferreira fora dos gramados, e foi justamente essa característica do treinador do Palmeiras que o levou a ser escolhido pela ONG mineira Sementes do Vale para uma homenagem que alcançou e emocionou milhares de torcedores nas redes sociais.
No mês passado, Abel mostrou uma carta e dois presentes feitos pelas mãos das crianças e adolescentes atendidos pela entidade: um campinho tático, feito de papelão, e um carrinho de Fórmula 1 de controle remoto. A repercussão da postagem transformou a iniciativa em uma vitrine para o trabalho desenvolvido há 10 anos no Norte de Minas.
De acordo com Thiago Otero, fundador e presidente da ONG, o treinador foi lembrado pela defesa da educação e da leitura: “Um treinador que traz sobre livros, traz sobre a educação, a gente vê que é algo diferente, e precisamos passar isso para as nossas crianças”.
“A gente quis mostrar para ele que o futebol e o esporte podem caminhar com a educação”, acrescentou. Otero explicou que os presentes para Abel foram feitos pelos alunos do projeto de robótica da ONG, enquanto o campinho tático e o carro de Fórmula 1 trazem elementos pedagógicos às crianças.
“Vimos nisso uma oportunidade de levar um presente para o Abel e falar: ‘Olha o esporte que você tanto ama andando de mãos dadas com a educação, que você tanto defende também’, e aí deu certo”, complementou. Ainda segundo Otero, o contato com o treinador foi possível por intermédio da assessoria do Palmeiras, que também viabilizou a entrega dos presentes.
“Foi um momento muito marcante para nossa história, mesmo não tendo o conhecido pessoalmente”, disse ainda.
Torcedor do Palmeiras, a publicação do treinador português também o comoveu pessoalmente: “Quando vi, não acreditei. É muito incrível porque o futebol é a paixão de todo mundo. E quando a gente consegue chegar até um cara que trouxe tanta alegria para a gente, como palmeirense, é muito incrível. Então, assim, eu não consigo descrever o que foi a sensação de ver isso acontecer”.
Otero acrescentou, ainda, que o registro aumentou a visibilidade, trouxe novos seguidores e gerou interesse de potenciais parceiros. Embora o objetivo não fosse a arrecadação imediata, o reconhecimento fortaleceu a credibilidade do projeto e ampliou seu alcance junto a empresas e apoiadores.
Uma década de trabalho social no Norte de Minas Gerais
Criada há 10 anos, a Sementes do Vale nasceu da percepção de Otero de que a baixa qualidade da educação contribui para a perpetuação do ciclo da pobreza em municípios do sertão mineiro. Atualmente, a entidade conta com quatro polos de atendimento e três extensões, abrangendo sete cidades.
Além das atividades de robótica, a ONG também oferece informática, modalidades esportivas, musicais, balé, aulas de idiomas e qualificação profissional, além de acompanhamento familiar e iniciativas de geração de renda. Mais de 10 mil pessoas já foram beneficiadas pelas ações da Sementes do Vale.
Uma delas é Cristiane Xavier, de 22 anos. Ela chegou ao projeto como aluna de informática e robótica em 2023. Lá dentro, tornou-se monitora, professora e hoje coordena o principal polo da instituição. Mãe desde os 16 anos de idade, ela afirma que a ONG ampliou as perspectivas profissionais para jovens mulheres da comunidade.
“A realidade das mulheres daqui é cuidar de criança ou trabalhar no café, que é um período curto, e quando termina, termina. Então a ONG traz muitas oportunidades de trabalho. Vários meninos que eram da comunidade conseguiram estudar fora, e tenho certeza que foi através da educação aqui da ONG”, explicou Cristiane.
Mesmo diante da consolidação no sertão mineiro, a ONG ainda enfrenta desafios na manutenção das atividades. Segundo Otero, a maior dificuldade é a logística e o acesso às principais regiões de Minas Gerais e do País.
“Como estamos no interior de Minas, numa cidade com difícil acesso a aeroportos e rodovias, a gente tem muita dificuldade em estourar a bolha, chegar a outros lugares. E aí a gente acaba com a dificuldade de conseguir boas parcerias, que dêem mais tranquilidade para continuarmos ampliando”, afirma.
Ainda assim, para Otero, o maior legado da publicação de Abel Ferreira foi colocar em evidência um projeto desenvolvido longe dos grandes centros, além de reforçar que o esporte pode ser uma porta de entrada para a educação.
“A gente sabe que o Semente do Vale um dia vai acabar. A gente sabe que eu vou passar, que as pessoas vão passar, mas aquilo que a gente consegue contribuir para as políticas públicas é o que vai permanecer para as pessoas que mais precisam”, finaliza.
Fonte: Terra




