Ex-veredor Milton Leite se entrega à polícia um dia após ser alvo de operação contra PCC, em SP

Foto: Instagram/@miltonleite.sp
O ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo Milton Leite (União Brasil) se entregou à polícia na tarde de hoje em uma delegacia de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Defesa afirmou que o ex-vereador está “absolutamente tranquilo” por saber que não tem nenhuma relação com o caso e fez questão de se apresentar às autoridades.
Leite chegou à Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) acompanhado de um advogado. A prisão dele é temporária —válida por 30 dias com possibilidade de prorrogação por igual período. Na manhã de hoje, a Polícia Civil chegou a procurá-lo em Sorocaba, no interior paulista, mas ele não foi encontrado. No endereço, ligado a um ex-assessor de Leite, os agentes encontraram R$ 280 mil e US$ 89 mil (R$ 458 mil na cotação atual) em espécie. O nome do assessor não foi divulgado.
O ex-vereador é um dos alvos de ação contra a suposta atuação do PCC no setor de transporte coletivo da capital. Desde a deflagração da operação, Leite disse que iria se entregar, e se declarou inocente.
O ex-presidente da Câmara de Vereadores de São Paulo teve sua prisão temporária decretada pela polícia por uma suposta ligação entre ele e o PCC. Além dele, outras 15 pessoas foram alvos de mandados de prisão pela Polícia Civil ontem na operação Vectura Corrupta.
Para a polícia, há fortes indícios de envolvimento direto do ex-vereador com o esquema de infiltração no transporte público do PCC. Ele seria responsável pelas operações de empresas de ônibus controladas pela facção.
Em 2024, o Portal UOL, revelou as relações entre Leite e a Transwolff. Uma empresa da família do então vereador alugava um terreno para a concessionária. Advogado e contador ligados ao político também prestaram serviços à companhia durante a licitação do transporte público.
Leite nega ser proprietário da Transwolff e qualquer envolvimento com o PCC. Ele afirmou que sua interlocução com a SPTrans ocorreu a pedido do então prefeito Bruno Covas, durante uma greve em 2019.
Defesa de Milton Leite declarou que a defesa entrou ontem com pedido no TJSP (Tribunal de Justiça de São Paulo) para obter acesso integral aos autos do processo. Em entrevista à imprensa na delegacia, o advogado Aloísio Lacerda Medeiros alegou que os autos são “volumosos” e que ainda não teve acesso a nada do caso, por isso, se manifestará oportunamente.
A defesa também apontou que não entrou com pedido de habeas corpus em desfavor do cliente. Ainda acrescentou que o ex-vereador não se apresentou antes porque estava fora do estado de São Paulo.
Polícia chegou a Leite a partir de trocas de mensagens entre supostos integrantes do PCC. A investigação achou conversas de WhatsApp dos investigados com uma pessoa apontada como integrante do PCC, de acordo com o delegado Fabrício Intelizano, do Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes).
Em um dos diálogos, um homem apontado como integrante da organização menciona o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. Ele diz para outro suposto membro da facção que havia falado para um advogado identificado como Milton Milreu que seria necessário “envolver o Milton Leite para resolver a questão”.
Noutro trecho, o homem fala em extrema preocupação em dar ciência à Milton Leite dos fatos envolvendo a UpBus. Milton é apontado pelo MP-SP como o possível articulador político das decisões estratégicas sobre o setor de transporte público de São Paulo — inclusive as empresas investigadas. Para os investigadores, a conversa pode estar relacionada à substituição da UPBus por outra empresa.
A polícia também narrou que declarações de policiais militares corroboram que Leite seria dono da empresa Transwolff, que está no centro da investigação. A empresa em questão seria uma das 12 controladas pelo PCC em São Paulo.
” Com a análise desses dispositivos que foram aprendidos ao longo de 2024, 2025, hoje nós identificamos aí uma possível infiltração, se é que a gente pode dizer assim, do crime organizado em empresas de transporte público. Nós identificamos aí 12 empresas de transporte que teriam movimento direto com o primeiro comando da capital, que seriam controladas direta ou indiretamente por essa organização criminosa.”
Fabricio Intelizano, delegado
fonte: uol



