Polícia

Ex-presidente do BRB pretende fazer delação premiada e pede transferência da Papuda

Ex-Presidente do BRB, Paulo Henrique Costa — Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa, preso na Operação Compliance Zero, sinalizou interesse em colaborar com as investigações.

A defesa pediu ainda ao Supremo Tribunal Federal (STF) a transferência do presídio da Papuda para um local que permita conversas sigilosas com advogados.

O pedido foi encaminhado ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF. No documento, os advogados afirmam que Costa manifestou a intenção de cooperar com as autoridades, “possivelmente por meio de colaboração premiada”.

O executivo é suspeito de não seguir práticas de governança e permitir negócios com o banco Master sem lastro — ou seja, sem garantias que sustentem seu valor.

Segundo os advogados, a possibilidade de uma eventual colaboração premiada depende de três fatores:

  • a voluntariedade do investigado
  • análise técnica sobre a utilidade das informações e provas
  • uma decisão esclarecida sobre os termos e riscos do acordo

Os advogados argumentam, no entanto, que essas condições não podem ser atendidas enquanto Paulo Henrique Costa estiver no Complexo Penitenciário da Papuda, Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasiília.

De acordo com a petição, a estrutura da unidade prisional e a necessidade de garantir o sigilo das conversas entre cliente e defesa impedem discussões detalhadas sobre os fatos investigados e o manuseio de possíveis provas.

Por isso, a defesa pede a transferência para um ambiente em que Costa possa exercer “de forma plena seu direito à autodefesa”, com garantia de confidencialidade nas comunicações entre advogados e cliente.

A petição menciona ainda que Paulo Henrique Costa é oficial da reserva das Forças Armadas, com patente de 2º tenente.

Segundo os advogados, essa condição pode assegurar o direito à prisão especial, como a sala de Estado-Maior — onde está o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, e esteve ex-presidente Jair Bolsonaro, entre novembro de 2025 e janeiro deste ano.

Paulo Henrique Costa esteve à frente do BRB a partir de 2019, indicado pelo ex-governador do DF Ibaneis Rocha e conduziu a tentativa de compra do Banco Master pela instituição. O executivo foi afastado em novembro após decisão judicial.

Segundo os autos, Costa defendeu a compra do Master como uma solução para a crise da instituição privada.

Costa é formado em administração de empresas com especializações na área financeira em universidades do exterior, e possui mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

Antes de assumir o BRB, ele era vice-presidente de Clientes, Negócios e Transformação Digital da Caixa Econômica Federal, onde trabalhava desde 2001 até assumir o BRB.

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