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Ex-presidente do Rioprevidência é preso pela PF em investigação sobre o Banco Master

Foragido, Deivis Marcon Antunes foi preso nesta terça-feira, 3, ao desembarcar em Guarulhos, na Grande São Paulo, após retornar de uma viagem aos Estados Unidos; ele pretendia seguir de carro para o Rio de Janeiro; Estadão busca contato com a defesa

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (3) o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, na segunda fase da Operação Barco de Papel que apura a aplicação de R$ 970 milhões do fundo dos servidores do Rio de Janeiro no Banco Master. A investigação aponta suspeitas de gestão fraudulenta, desvio de recursos públicos e corrupção envolvendo dinheiro destinado a aposentadorias e pensões.

A prisão de Antunes foi confirmada pelo G1 Folha de S. Paulo com fontes a par das investigações. O ex-dirigente foi interceptado pela Polícia Rodoviária Federal em Itatiaia,na região Sul do estado do Rio de Janeiro, após alugar um carro no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. Ele foi levado para a delegacia da Polícia Federal em Volta Redonda e será posteriormente transferido para a capital fluminense.

As investigações da Polícia Federal indicam que, durante a gestão de Deivis e de outros dois ex-diretores, o fundo dos servidores do Rio de Janeiro comprou letras financeiras do Banco Master considerados de alto risco e sem proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O Rioprevidência administra os recursos de cerca de 235 mil beneficiários.

Segundo a Polícia Federal, ao menos nove aplicações realizadas entre 2023 e 2024 colocaram em risco o dinheiro das aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. Deivis havia renunciado ao cargo em 23 de janeiro, logo após uma operação da Polícia Federal que mirou a cúpula do órgão em meio às investigações do esquema de venda de carteiras de crédito sem lastro do Master ao Banco de Brasília (BRB), no ano passado, por R$ 12,2 bilhões.

Em nota oficial, a Polícia Federal declarou que “a investigação, iniciada em novembro, visa apurar um conjunto de 9 operações financeiras, realizadas entre novembro de 2023 e julho de 2024, que resultaram na aplicação de aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes à autarquia em Letras Financeiras emitidas por banco privado”. O dinheiro aplicado pertence diretamente ao fundo que paga aposentadorias e pensões no estado.

Os crimes apurados, segundo a corporação, incluem associação criminosa, corrupção passiva, gestão fraudulenta, desvio de recursos, indução em erro de repartição pública e fraude à fiscalização.

Em resposta à deflagração da Operação Barco de Papel, há duas semanas, a Rioprevidência afirmou que “está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários”.

“O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio”, disse em nota (veja na íntegra mais abaixo).

Há mais de um ano, os aportes no Banco Master já estavam sob análise do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ). Em outubro de 2025, a Corte proibiu o Rioprevidência de realizar novos investimentos em títulos administrados pelo banco e alertou para possível gestão irresponsável dos recursos.

Veja abaixo o que disse a Rioprevidência sobre a apuração da Polícia Federal durante a operação do mês passado:

O Rioprevidência informa que todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle.

O Rioprevidência destaca ainda que está resguardado por decisão judicial, de dezembro de 2025, que determinou a retenção de cerca de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, referentes aos valores investidos pela autarquia. A medida visa proteger o patrimônio previdenciário dos servidores ativos, aposentados e pensionistas do Estado do Rio.

Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos.

A autarquia reforça também que está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários e reafirma seu compromisso com a transparência, a legalidade e a defesa dos recursos previdenciários.

O Rioprevidência informa ainda aos segurados que a prestação de serviços acontece normalmente,  e o calendário de pagamentos permanece sem qualquer alteração.

Fonte: G1/Gazeta do Povo

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