Missão da AIEA deixa Kiev para vistoriar usina nuclear ucraniana em Zaporíjia

Ucrânia acusa a Rússia de armazenar munições e veículos blindados no local da usina
A equipe de inspeção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) deixou Kiev, na manhã desta quarta-feira (hora local), para realizar a vistoria na usina nuclear controlada pela Rússia, em Zaporíjia, no sul da Ucrânia, disse o chefe da agência da ONU, Rafael Grossi.
– Finalmente estamos nos movendo depois de seis meses de esforços. A AIEA está se dirigindo para a usina nuclear de Zaporíjia – disse Grossi a repórteres, antes de deixar a capital ucraniana.
– Estou ciente da relevância deste momento, mas estamos preparados. A AIEA está preparada. Daremos um relatório após a missão. Vamos passar alguns dias lá – disse.
A usina nuclear, a maior da Europa, foi tomada pelas forças russas em março, logo após o início da invasão da Ucrânia, em 24 de fevereiro.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_da025474c0c44edd99332dddb09cabe8/internal_photos/bs/2022/x/O/IaIp7cQ6S1veLPbIdaoA/97891986-this-screen-grab-taken-on-march-4-2022-from-a-footage-of-the-zaporizhzhia-nuclear-autho.jpg)
Ambas as partes se acusam mutuamente do recente bombardeio ao redor da usina, que causou preocupação internacional sobre um possível acidente nuclear.
A Ucrânia afirma que a Rússia enviou soldados e armazena munições e veículos blindados no local da usina.
O país, uma ex-república soviética, sofreu a pior catástrofe nuclear da história em 1986, quando um reator na usina de Chernobyl explodiu e espalhou radiação na atmosfera.
A Ucrânia, inicialmente, temeu que uma visita da AIEA a Zaporíjia legitimasse a ocupação russa do local, mas depois apoiou a ideia de uma inspeção, se a equipe partisse do território controlado por Kiev.
O Kremlin também chamou a missão de “necessária” e pediu à comunidade internacional que pressione a Ucrânia para parar de colocar a usina em risco, disse seu porta-voz Dmitri Peskov.
Em uma reunião com Grossi, na terça-feira, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse estar “muito grato” pela visita e alertou que a situação ao redor da usina era “extremamente ameaçadora”.

Fonte: O Globo