Artigo Opinião

O etarismo e as bandeiras

Muito se tem falado sobre ter uma boa saúde com dieta equilibrada, com práticas esportivas e, como consequência, uma excelente saúde mental. Todavia, o que muitos esquecem é que a longevidade do ser humano também será prolongada, ou pelo menos é o que se espera. Aí surge o dilema: envelhecer em uma sociedade que pouco valoriza e respeita os idosos é complicado.

Apesar de termos políticas públicas que dão amparo aos de 60+, é sabido que muitos não têm acesso a essas benéfices e acabam sendo marginalizados por parte desta sociedade celetista. Por isso é dever de cada um cidadão dar a atenção devida àqueles que contribuíram de alguma forma ao que somos hoje e isso não é caridade, é o pagamento de uma dívida com eles.

É bom lembrar que em outubro de 2024, foi apresentado o Projeto de Lei 261/24, com propostas concretas para enfrentar essa forma de discriminação no Brasil, tais: vários programas de capacitação sobre o etarismo para profissionais da educação, saúde e assistência social, além de incentivo à inclusão digital e à valorização da pessoa idosa no mercado de trabalho.

Apesar de toda essa rede de apoio aos idosos, o preconceito etário não se limita a piadas e estereótipos. Ele afeta diretamente o acesso de pessoas idosas a direitos básicos, como o trabalho formal e digno. De acordo com o levantamento do Observatório dos Direitos Humanos, com base na PNAD, em 2022 o Brasil registrou mais de 4 milhões de idosos na informalidade, número recorde e crescente desde o início da pandemia.

Outro ponto a ser visto é a questão do relacionamento afetivo, já que nem todos os idosos conseguem ter um parceiro, ou uma parceira até a esta fase da vida e acabam sozinhos. Um exemplo disso são alguns membros da comunidade LGBTQIAPN+. Ao envelhecer, começam a ser classificados por diversos apelidos, como: ‘barroca’, ‘cacura*’, dentre tantos. Mas é só um pequeno exemplo dentro de várias situações.

Levantar a bandeira, seja ela de qualquer cor, é se empoderar e sair da invisibilidade que a parte da sociedade quer colocar o idoso, é um ato simbólico e necessário. Todos são capazes e só querem mostrar o seu poderio, afinal ainda têm muito o que nos ensinar nesta longa estrada da vida. 

Na gíria: * é uma palavra usada para se referir a homossexuais de idade avançada, geralmente com mais de 40 anos, enrugados ou velhos.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.

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