Artigo Opinião

O preço baixo e a barata

Todos os dias acordamos, levantamo-nos e saímos em busca de melhores e menores
preços para as nossas compras diárias, sejam em produtos alimentícios, vestuários,
remédios, futilidades ou coisas do tipo, não importa, sempre queremos encontrar os
benditos precinhos que nos enganam e acabam fazendo com que a gente leve mais do
que precisamos.
Assim é a nossa luta diária. Incansável e sempre querendo levar a vantagens. É a
população que sabe muito bem quanto custa o preço do feijão, do arroz e da garrafa de
óleo, dos medicamentos, e principalmente, quanto tem na carteira para utilizar neste
dilema do rochedo contra o mar.
Encontrar um preço barato, onde se mistura a vários preços caros é o que temos para
hoje. E não adianta verificar nas redes sociais qual supermercado ou farmácia está
vendendo tal produto bem abaixo do preço, porque sempre levamos mais do que
queríamos levar, esse controle nunca funciona e acaba nos frustrando à falta do
autocontrole financeiro, afinal é tentador demais.
Em uma reportagem à Revista Veja, de fevereiro de 2025, o economista André Braz
explica como a alta de preços atingiu diretamente as classes D e E. “De 2020 até 2024,
o preço dos alimentos subiu 55%. Nesse mesmo período, o IPCA avançou 33%. Isso
mostra o quanto os alimentos subiram acima da inflação média. O problema é que os
salários são corrigidos pela inflação média”, explica Braz, do FGV IBRE
(Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas). A questão é que não
temos para onde correr e acabamos fazendo ‘milagres’ com o pouco que nos resta no
bolso, o que acaba nos levando ao famigerado cartão de crédito, ao caderninho da
mercearia da esquina, e agora, ao tal consignado que a meu ver é outra arapuca
disfarçada de ajudinha financeira.
Cada um de nós sabe das dificuldades que passamos logo após o nosso pagamento
mensal, seja pelos ativos, tanto quanto aos aposentados, sempre estaremos na caça do
mau humor do preço barato, mas tomara que esse ‘barato’ acabe encontrando uma
barata e aí acalme seus ânimos e dê uma trégua a nós, nessa guerra incessante de todos
os dias.

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.

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