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Prédio de quatro andares desaba no Brás, em SP, e deixa ao menos 20 feridos

Policiais Militares e Bombeiros atuam no resgate de trabalhadores após desabamento de prédio no Brás –
Foto: Reprodução/PMSM

Um prédio de quatro pavimentos desabou na noite de hoje (6), no Brás, região central de São Paulo, e deixou mais de 20 feridos. Não há registro de mortes até o momento.

35 pessoas estavam dentro do prédio descarregando material no momento do desabamento, de acordo com informações do Corpo de Bombeiros. A ocorrência aconteceu na rua Maria Joaquina, no Brás, em um prédio que abriga uma loja de roupas e depósito de tecidos. Os bombeiros foram acionados por volta das 18h38. Não há desaparecidos.

Corpo de Bombeiros retirou 27 pessoas que estavam no interior do prédio. Outras pessoas saíram antes da chegada da corporação. A capitã Karoline Burunsizian disse à imprensa que os resgatados eram 25 homens e duas mulheres. Quatro deles tiveram escoriações, algumas lesões em membros (pernas e braços) e foram levados à UPA da Mooca com estado de saúde estável. Eles não correm risco de morte.

Por volta das 22h15, todos os bombeiros deixaram a parte interna do prédio em razão do risco de colapso da estrutura. Burunsizian confirmou a suspensão dos trabalhos por comprometimento da segurança das equipes, que ouviram estalos e movimentações dos escombros no local. Eles fizeram escoras na estrutura e um engenheiro irá analisar se há risco para as equipes. Não há previsão de retorno dos trabalhos.

Antes, os bombeiros trabalhavam no local após um dos cães da corporação fazer uma indicação de odor. A corporação explicou que a sinalização não quer dizer necessariamente que haja uma vítima. No entanto, todo o material estava sendo retirado para realização de uma nova passagem do animal e posterior liberação da área. Segundo a capitã, a dona da loja foi contatada e informou que havia 35 pessoas no local antes do desabamento.

“O fato de não ter vítimas até o presente momento é uma grata surpresa, graças a Deus. A gente obviamente não quer que nenhuma tragédia aconteça e a gente espera que termine desta forma a ocorrência: sem vítimas fatais. Mas os trabalhos continuarão até que a gente descarte totalmente as chances de ter vidas no estabelecimento.” –
Capitã Karoline Burunsizian

Segundo o secretário da Segurança Pública de São Paulo, Osvaldo Nico Gonçalves, a dona da loja falou que recebeu dois contêineres de mercadoria hoje. Um deles foi descarregado pela manhã e transferido para a parte superior do prédio, já a outra carga começou a ser descarregada por volta das 18h. “Começou a queda do mezanino que ficava em cima, uma parte do escritório começou a cair onde ela tinha colocado muito peso. (…) Talvez pode ter acontecido uma sobrecarga, isso a perícia vai falar”, concluiu o secretário.

Polícia Civil abriu inquérito para investigar o caso. O delegado-geral da Polícia Civil, Artur Dian, declarou que a corporação já consultou órgãos públicos para saber se houve vistorias passadas no prédio. “Num primeiro momento, o prédio seria de escritório, então, não sustentaria um peso relevante, por isso, aconteceu o acidente. Mas tudo isso vai ser apurado em inquérito policial.”

O Corpo de Bombeiros informou que o prédio não tinha AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) válido. O documento, emitido pelo Corpo de Bombeiros, atesta que uma edificação tem condições de segurança contra incêndio exigidas pela lei. A Defesa Civil também foi acionada e avalia as condições da estrutura atingida e verifica se há risco de desabamento nos imóveis vizinhos.

Aproximadamente 74 bombeiros trabalharam no local, com 24 viaturas, segundo a SSP-SP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo). O local está isolado. Equipes da Polícia Militar e da Polícia Civil também estão no local.

Governador afirmou acompanhar a operação e dar respaldo às equipes que atuam no local. Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que o governo prestará assistência às vítimas, realizará a avaliação dos imóveis vizinhos e fará a apuração rigorosa das causas do desabamento.

Os andares da loja estavam tomados por tecidos, descritos como materiais pesados. O estabelecimento seria de propriedade de uma comerciante chinesa. Grande parte dos trabalhadores era formada por carregadores, que recebem, em média, R$ 60 para descarregar carretas de mercadorias.

As causas do desabamento ainda não são conhecidas. O UOL questionou a Prefeitura de São Paulo sobre a situação e a regularidade do imóvel, mas não recebeu resposta até a publicação deste texto. A perícia fará o trabalho no local, segundo Burunsizian.

Imagem mostra como era o prédio que desabou no Brás, no centro de São Paulo. Foto: Reprodução/Google Map

os trabalhadores percebessem o que estava acontecendo. “Quando eu vi o chão descendo, eu corri para o lado que tinha menos peso, imaginando que não cairia”, relatou Matheus Freitas, que trabalha como arrumador no local. Matheus e mais três pessoas estavam no terceiro andar. Ele acrescenta que “se soubesse do risco, não teria entrado lá dentro”.

Os trabalhadores também relatam que os rolos de tecido, empilhados do chão ao teto, ajudaram a sustentar parte da estrutura e impediram que o teto caísse diretamente sobre eles. “Se não fossem os tecidos, a maioria das pessoas ali morreria.”

Um grupo de funcionários, que prefere não se identificar, afirmou que seus pertences, como celulares, dinheiro e chaves de casa, continuam no imóvel, dentro da área isolada pelas equipes de resgate. Os trabalhadores tentam autorização para recuperá-los, mas ainda não conseguiram acesso ao local. Sem os pertences, dizem, não têm como voltar para casa.

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