Política

Último debate na Globo entre Flávio e Lula, começa propositivo e acaba com troca de ofensas

Foto: Globo/Manoella Mello

O segundo e último debate presidencial de 2026 hoje na TV Globo começou com a apresentação de propostas pelos candidatos Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT), mas terminou com uma troca generalizada de ofensas.

Com temas livres, o quarto bloco acabou virando espaço para acusações de ambos os lados sobre as notícias que dominaram a campanha eleitoral, com destaque para o escândalo do Banco Master, de Daniel Vorcaro. Foram citados também as investigações que envolvem o filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, e a mansão disputada pelo jogador Richarlison e o advogado e amigo de Flávio, Willer Tomaz.

A mudança de postura dos candidatos ocorreu no último e único bloco com temas livres. Nos três blocos anteriores, Lula e Flávio também se atacaram, mas priorizaram pelo modelo do programa a apresentação de propostas de acordo com os temas sorteados.

Segurança e caso ‘Ana Clara’

O tema da segurança, por exemplo, colocou os dois em lados opostos no terceiro bloco. Ao afirmar que, se eleito, Flávio vai devolver à população territórios dominados do crime organizado, o candidato foi logo questionado pelo adversário sobre que tipo de segurança ele promete.

O presidente levou ao debate a mãe da menina Ana Clara, de 5 anos, morta com um tiro de fuzil durante uma ação policial no Rio em 2021. Cristiane Gomes da Silva atribui ao senador, que faz parte da defesa do policial que teria dado o tiro, a decisão da Justiça de adiar o julgamento.

Ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin está Cristiane, mãe da menina Ana Clara, morta com um tiro de fuzil: o assassino da menina foi defendido por Flávio Bolsonaro — Foto: Míriam Leitão

Ao ser questionado por que um senador da República defende um “policial assassino”, Flávio disse que não há provas que o agente citado tenha cometido o crime. Nervoso, ele cometeu uma gafe: chamou a mãe pelo nome da filha. O programa não mostrou a imagem de Cristiane, que veste uma camiseta com a foto da filha. O policial militar Bruno Dias Delaroli foi acusado pelo Ministério Público de atirar. Flávio integrou a defesa do policial e assinou, em 2024, um recurso ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) contra a decisão de levá-lo a júri popular.

O veto às bets também dominou parte dos debates no terceiro bloco. Em recado às mulheres, Lula defendeu sua medida de vetar o jogo online no Brasil e Flávio afirmou que a decisão foi tomada de última hora, por causa das eleições, prejudicando os times de futebol que são patrocinados majoritariamente pelas empresas de apostas.

Pedido de desculpas

O segundo bloco do debate da TV Globo nesta noite foi marcado por um pedido de desculpas de Flávio Bolsonaro ao presidente Lula por tê-lo chamado de “nove dedos” no embate inicial.

“Não vou aceitar ser tratado assim e por um miliciano”, disse Lula. Antes, o presidente usou seu tempo para discursar como perdeu um dos dedos aos 17 anos — durante o trabalho em uma metalúrgica no ABC, em São Paulo —, e exigir uma reparação.

Flávio aproveitou o momento. Pediu desculpas a Lula se falou “algo que lhe tenha ofendido” e aproveitou para exigir do petista pedidos de desculpas, por exemplo, às famílias brasileiras que não conseguem chegar ao final do mês com comida no prato, às mulheres que não se sentem seguras.

A primeira pergunta do bloco, no entanto, foi a mesma feita no debate da Band, relativa ao voto contrário do então deputado estadual do Rio sobre um projeto de lei que ampliava a licença maternidade das servidoras do estado. Sem fugir dessa vez da resposta, Flavio disse que se “arrependeu” e que votou contra porque “imaginava que a ampliação do benefício de 120 para 180 dias iria prejudicar as mulheres na busca por um emprego”.

Em seguida, ainda no tema “políticas sociais”, Lula questionou o senador sobre o motivo de ele ter chamado o Bolsa Família de “bolsa-farelo”.

Ainda nesse tema, o senador propôs “comprar dívidas de pessoas físicas e pessoas jurídicas”. Para o primeiro grupo, o candidato ainda se comprometeu a postergar pagamentos a serem financiados em seis meses e, para o segundo grupo, em um ano. Lula disse que a proposta já foi feita por ele, com projeto a ser aprovado no Congresso. “Não adianta fazer promessa copiando o que já fizemos”, provocou o petista.

Ao poder escolher entre dez temas a serem abordados em perguntas obrigatórias, ambos os candidatos defenderam as atuais políticas sociais, em especial o SUS. Flávio usou o atentado sofrido pelo pai, Jair Bolsonaro, para falar da importância da rede pública de saúde.

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