Itália suspende livre circulação com Espanha por crise migratória em Ceuta

Migrantes nadam até Ceuta, na Espanha, em travessia em massa da fronteira – Foto: Reprodução
A Itália anunciou hoje a suspensão da livre circulação de pessoas com a Espanha em razão do grande fluxo de migrantes vindos de Marrocos para Ceuta, enclave espanhol no norte da África.
Segundo comunicado do governo italiano, a decisão determina o fechamento das fronteiras aéreas e marítimas com a Espanha — os dois países não compartilham fronteira terrestre. “A suspensão temporária do espaço Schengen com a Espanha é uma decisão necessária para proteger a segurança dos nossos cidadãos e defender as fronteiras da Europa. É uma medida prevista pelos tratados e que agora se tornou inevitável”, escreveu o ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, em comunicado.
A medida também restabelece inspeções obrigatórias para passageiros que cheguem à Itália vindos do território espanhol. De acordo com a agência de notícias italiana Ansa, a decisão foi comunicada pelo ministro do Interior da Itália, Matteo Piantedosi, ao seu homólogo francês, Laurent Nuñez, a quem foi solicitado o reforço das fronteiras entre os dois países.
A livre circulação entre grande parte dos países europeus é garantida pelo Acordo de Schengen, que aboliu os controles de fronteira internos entre os países participantes. O tratado, no entanto, permite que os governos restabeleçam temporariamente controles fronteiriços em casos considerados de ameaça à ordem pública ou à segurança interna, como crises migratórias, risco de terrorismo ou grandes eventos.
Mais cedo, a primeira-ministra Giorgia Meloni já havia afirmado que poderia suspender a aplicação do acordo em relação à Espanha. A medida pode ser seguida por outros países europeus, que também manifestaram preocupação com a pressão migratória e com o risco de deslocamento dos dos migrantes para outros países do espaço Schengen.
Nas redes sociais, Meloni disse que a medida busca salvaguardar a segurança nacional. “Trata-se de uma medida extraordinária, adotada para salvaguardar a segurança nacional e prevenir possíveis repercussões para nossa nação”, escreveu no X.
Milhares de migrantes entraram entre ontem e hoje na cidade espanhola de Ceuta. As autoridades já monitoravam um aumento nas tentativas de travessia, mas o maior fluxo ocorreu quando centenas de pessoas chegaram ao território espanhol ao mesmo tempo.
Dezenas de pessoas morreram durante a travessia, segundo o boletim mais recente. O número de vítimas pode aumentar, já que novos corpos foram encontrados na costa de Ceuta na manhã de hoje, de acordo com jornais locais.
Mais de 53 mil migrantes já voltaram a Marrocos, segundo informações da agência EFE. Maioria dos imigrantes é formada por jovens que passaram a noite ao relento e desistiram de permanecer na Espanha. Muitos disseram ter entendido que não conseguiriam regularizar a situação e decidiram voltar por conta própria.
Mesmo com a onda de retornos, ainda há tentativas de entrada em Ceuta pela costa e pelo quebra-mar, inclusive a nado. A EFE afirma que as forças marroquinas não intervieram para impedir parte dessas travessias.




