Mendonça abre 2º inquérito por tráfico de influência contra Lulinha por atuação no Dataprev

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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou nesta sexta-feira que a Polícia Federal abra mais um inquérito criminal por tráfico de influência contra o filho primogênito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, desta vez para investigar a atuação dele em negócios relacionados à Dataprev, empresa pública responsável pela base de dados do INSS.
A informação foi inicialmente divulgada pelo site do jornal O Estado de S. Paulo e posteriormente confirmada pela Reuters com uma fonte do Supremo com conhecimento do caso.
Procurada, a defesa de Fábio Luís não respondeu de imediato a pedido de comentário.
André Mendonça já tinha determinado que a PF abrisse uma investigação anterior para apurar a suspeita de atuação irregular para favorecer um lobista em negócios no Ministério da Saúde, disseram à Reuters duas fontes com conhecimento direto da decisão na quinta-feira.
Em nota anterior, o advogado do empresário criticou a decisão, alegando, entre outros motivos, não entender que há justificativa para o caso estar no Supremo, que ele nunca teve ligação com o escândalo de fraudes no INSS e que estariam fazendo uma “pescaria probatória”.
“A notícia (da abertura do inquérito) me faz suspeitar imediatamente de ilegalidade. Se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”, disse.
“Tentam achar ‘x’, como não acham, tentam ‘y’, e se não acharem vão inventar ‘z’. Investigação não é exercício de tentativa e erro. Isso configura o que chamamos de pescaria probatória, que é ilegal e escancararia o interesse político por trás dessa movimentação peculiar”, emendou.
Também na quinta, em entrevista ao Inteligência Ltda. Podcast, Lula tinha afirmado que o filho já vinha sofrendo o que chamou de “campanha difamatória” e é utilizado para atingí-lo. Alertou, no entanto, que não haverá qualquer interferência no processo.
“Se o meu filho for acusado de qualquer coisa, ele será tratado como filho de qualquer pessoa… não haverá nenhum privilégio. Eu jamais pedirei para um delegado, para um juiz não fazer as coisas corretas.”
Lula confirmou que o filho atualmente mora na Espanha, mas não ficará “escondido”.
“Ele jura para mim todo dia e eu acredito nele… se ele for julgado, ele virá para cá, não vai ficar escondido, não. Não vou utilizar meu cargo para proteger. Ele vai vir para cá, vai ter que provar que ele é inocente… e se for culpado, vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra.”
A abertura das investigações sobre o filho de Lula deve ser explorada por adversários na campanha eleitoral –o presidente busca se reeleger para um quarto mandato.



