Economia

Banco Master: fraude bilionária; PF indiciou 15 nesta semana

Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

O Banco Master está no centro de uma investigação sobre operações bilionárias. Entenda no vídeo acima como o esquema funcionava.

Nesta quarta-feira (28), a Ploícia Federal indiciou Daniel Vorcaro, ex-presidente do BRB e mais 13 suspeitos de participação nas condutas ilegais relacionadas ao Banco Master e ao Banco de Brasília (BRB).

De acordo com relatório de indiciamentos, Vorcaro teve “participação pessoal, reiterada e diretiva” nas operações com carteiras de créditos irregulares do Banco Master que causam prejuízos ao BRB.

“Na condição de controlador do Banco Master, Vorcaro ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações destinadas à obtenção de liquidez para a instituição”, concluiu a PF.

Vorcaro foi preso em março deste ano e está custodiado no presídio da Papudinha, no Distrito Federal.

Além de Vorcaro, também estão na lista de indiciados o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa e Augusto Lima, ex-sócio do Master.

Todos os investigados foram acusados dos crimes de gestão fraudulenta de instituição financeira, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A fraude

O banco levantava dinheiro por meio da venda de CDBs com juros altos. Os investimentos também atraíam clientes por contarem com a proteção do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), respeitados os limites da garantia.

Segundo a Polícia Federal, o BRB, controlado pelo governo do Distrito Federal, pagou cerca de R$ 17 bilhões ao Master pela compra de carteiras de crédito. Desse total, R$ 12,2 bilhões estão sob investigação porque, segundo as apurações, os créditos não existiam. Regimes de previdência de servidores de estados e municípios também tinham cerca de R$ 1,8 bilhão aplicado no banco.

Em novembro de 2025, o Banco Central determinou a liquidação do Master, citando uma grave crise de liquidez, o comprometimento da situação financeira e violações às regras do sistema financeiro. O caso ainda pode ter novos desdobramentos na Justiça.

Prejuízo

De acordo com os investigadores da PF, o prejuízo já apurado é de aproximadamente R$ 2,7 bilhões. Parte das perdas foram provocadas por carteiras de créditos inexistentes, que estavam em nome da Tirreno, empresa de fachada operada pelo Master, e que fez transações com o BRB. 

Após concluir a primeira parte da Operação Compliance Zero, os investigadores enviaram o relatório de indiciamentos à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicitaram ao Supremo Tribunal Federal (STF) prorrogação das investigações por mais 60 dias.

O prazo será utilizado para conclusão dos exames periciais que estão pendentes e apresentação de um relatório complementar de investigação.

Principais Indiciados e Condutas:

  • Daniel Bueno Vorcaro (Ex-controlador e dono do Banco Master): Apontado como o líder do esquema e centro decisório. Indiciado por gestão fraudulenta de instituição financeira, fraude em investimentos, comando de organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Paulo Henrique Bezerra Rodrigues Costa (Ex-presidente do BRB): Apontado como o principal articulador das negociações com o Master dentro do banco público. Indiciado por gestão fraudulenta, fraude em investimentos e organização criminosa.
  • Augusto Ferreira Lima (Ex-sócio de Vorcaro): Atuava como elo operacional e executivo nas carteiras de crédito. Indiciado por gestão fraudulenta, participação em organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Ex-diretores e executivos do Banco Master: Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull e Alberto Félix de Oliveira Neto, indiciados por gestão fraudulenta, fraude em investimentos, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
  • Núcleo operacional e jurídico do Master/Tirreno: Allan da Silva Machado (gerente de operações), Henrique Souza e Silva Peretto e André Felipe de Oliveira Seixas Maia (ligados à empresa Tirreno) e o advogado Daniel Lopes Monteiro (do escritório Monteiro Rusu).
  • Ex-diretores do BRB: Dario Oswaldo Garcia Junior, Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior, responsabilizados pelas aprovações e decisões colegiadas das aquisições de ativos.

O Esquema Investigado

  • O volume das transações: Entre julho de 2024 e outubro de 2025, o BRB adquiriu cerca de R$ 17,5 bilhões em ativos e carteiras de crédito do Banco Master.
  • Fraude e Prejuízo: A PF aponta que ao menos R$ 12,2 bilhões desses créditos eram fictícios, sem lastro ou comprovação de existência. O prejuízo formalizado e reconhecido até o momento gira em torno de R$ 2,7 bilhões.
  • Próximos passos: O relatório foi enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro André Mendonça, acompanhado de um pedido de prorrogação das investigações por mais 60 dias para a conclusão de perícias complementares

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