EUA atacam o Irã pela 10ª noite seguida, e Teerã diz ter atingido hangar de drones no Kuwait

Segundo o exército americano, forças permanecem preparadas para responsabilizar o Irã por ‘agressões injustificadas’
O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou ter concluído a décima noite consecutiva de ataques contra o Irã nesta segunda-feira (20).
A ofensiva teve como alvos centros de comando militar, unidades marítimas, locais de lançamento de mísseis e drones e sistemas de defesa aérea.
Assim como nas últimas ofensivas, o objetivo é a redução da capacidade do Irã de atacar embarcações comerciais que navegam pelo estreito de Ormuz.
Explosões foram ouvidas nos arredores da cidade de Shiraz, no sul do Irã, enquanto Konarak e Chabahar, na costa sul, também foram alvo de ataques, segundo a mídia estatal iraniana.
Segundo o Centcom, as forças americanas permanecem posicionadas e preparadas para responsabilizar o Irã por “agressões injustificadas” contra navios civis.
“O trânsito de embarcações comerciais pelo vital corredor marítimo internacional continua. Desde o início de maio, as forças do Centcom auxiliaram na passagem de aproximadamente 900 embarcações comerciais e 450 milhões de barris de petróleo bruto”, informou o Centcom.
Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC) afirmou, em mensagem via Telegram, que ataques com mísseis e drones lançados nas primeiras horas desta terça-feira (21) atingiram instalações americanas no Kuwait. O alvo da ofensiva foi um hangar de drones MQ-9 na base aérea de Ali Al Salem.
A Guarda Revolucionária do Irã afirmou também ter atacado infraestruturas no Bahrein pertencentes à empresa de tecnologia norte-americana Amazon, em retaliação ao que descreveu como um ataque dos EUA ao canteiro de obras da usina nuclear de Darkhovin, planejada pelo Irã.
O Irã declarou ainda ter atacado uma instalação militar norte-americana na Jordânia, e a Jordânia informou que suas forças interceptaram e destruíram cinco drones iranianos.
Essas trocas de ataques ocorreram um dia depois que os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, afirmaram que ímporiam um bloqueio naval à Arábia Saudita, abrindo uma nova frente potencial na guerra e aumentando a ameaça ao abastecimento energético global e ao comércio além do Golfo Pérsico.
Alerta global
Devido às tensões elevadas no Oriente Médio e em meio a um ambiente de segurança “complexo”, com “potencial para escaladas imprevistas”, o Departamento de Estado americano emitiu um alerta global para cidadãos do país.
“Americanos atualmente no Oriente Médio devem exercer cautela e vigilância elevada e devem estar preparados para possíveis cancelamentos de voos, fechamentos periódicos de espaço aéreo e possíveis interrupções de viagens”, disse o órgão, em comunicado.
“Monitore os alertas de segurança da embaixada e consulado, autoridades locais e notícias para desenvolvimentos de última hora. Americanos fora do Oriente Médio devem reconsiderar viagens para e através da região.”
Esforço diplomático
Uma alta autoridade iraniana disse à Reuters na segunda-feira que Teerã havia recebido uma proposta dos mediadores para um cessar-fogo de 10 dias, em um esforço para salvar o acordo provisório, destinado a abrir caminho para um acordo duradouro que ponha fim à guerra iniciada em 28 de fevereiro com os ataques dos EUA e de Israel ao Irã.
O ministro do Interior iraniano, Eskandar Momeni, havia solicitado ao Paquistão que retomasse seu papel de mediador no conflito. Posteriormente, ele chegou a Islamabad para novas negociações.
A última fase dos combates revelou-se uma das mais mortíferas do conflito para as forças norte-americanas. O número de mortos entre as tropas dos EUA subiu para 17 no fim de semana.
Trump, sob crescente pressão interna devido ao aumento dos preços da gasolina desde o início da guerra, afirmou que os últimos ataques dos EUA ao Irã foram uma homenagem aos militares norte-americanos mortos.
“Sempre que o Irã matar um soldado norte-americano, pagará por esse assassinato muitas vezes mais! Essa diretriz foi transmitida ao secretário da Guerra, Pete Hegseth, ao chefe do Estado-Maior Conjunto, Daniel Caine, e a todos os líderes das Forças Armadas”, escreveu Trump no Truth Social na segunda-feira.
A guerra já matou milhares de pessoas, principalmente no Irã e no Líbano. Partes do Líbano permanecem sob ocupação israelense após ataques a Israel por combatentes do Hezbollah, que afirmaram estar agindo em solidariedade a Teerã.
O presidente libanês, Joseph Aoun, deve se reunir com Trump na Casa Branca nesta terça-feira para apresentar um plano sobre como desarmar o Hezbollah, aliado do Irã, e garantir a retirada israelense.
Fonte: R7

