Política

Ministros do STF estão revoltados com possibilidade de gravação, amplia crise

Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF

A crise no Superior Tribunal Federal (STF) escalou nesta sexta-feira, 13. Após a divulgação de uma reportagem do site Poder360 levantar a suspeita que uma reunião entre os ministros tenha sido gravado, o magistrado Dias Toffoli negou ser o autor do suposto grampo.

“Claro que não”, declarou ao ser questionado pela reportagem do jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a publicação, ao menos quatro dos 10 ministros do STF estão indignados com a possibilidade de gravação e não descartam a abertura sindicância para apurar o suposto vazamento.

A gravação teria acontecido na reunião de quinta-feira, 12, que resultou na saída de Toffoli da relatoria das investigações sobre o Banco Master na Suprema Corte.

Em nota, os ministros declararam não ser cabível a arguição de suspeição de Toffoli no caso Master e reconhecem, também, a validade de todos os atos praticados pelo ministro na relatoria das investigações. 

Após a publicação da nota conjunta, o ministro André Mendonça foi sorteado como o novo relator das apurações envolvendo o Master. Ele receberá todas as provas e atos relacionados ao processo.

Reunião entre ministros

A reunião aconteceu após a Polícia Federal ter encaminhado um relatório à Presidência do STF, com menções ao nome de Toffoli em diálogos de Vorcaro, incluindo conversas entre os dois, nos celulares apreendidos na investigação do Master.  Fachin revelou o conteúdo do relatório aos demais ministros na reunião de quinta-feira.

Toffoli, ainda na relatoria do caso, havia proferido decisão em que determinou à PF que encaminhasse ao STF, ‘na íntegra, o conteúdo dos aparelhos e de outras mídias que foram apreendidos’ e também laudos periciais já produzidos sobre o material e outros elementos de prova documentados.

Na sua decisão, Toffoli argumentou que os advogados de defesa haviam pedido acesso ao conteúdo das mídias e, por isso, era necessário que a PF enviasse todo o material ao STF.

“As referidas providências deverão ser adotadas imediatamente, para que seja possível cumprir-se o disposto na Súmula Vinculante 14, preservando-se o direito de defesa, o contraditório e o devido processo legal”, escreveu.

A PF ainda não havia juntado ao inquérito os laudos e as informações sobre os celulares apreendidos. Nesta semana, porém, a PF entregou um relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, sobre menções a Toffoli no celular de Daniel Vorcaro. A informação foi revelada na quarta-feira, 11, pelo UOL e confirmada pelo Estadão.

Depois das menções terem se tornado públicas, Toffoli divulgou uma nota rebatendo as suspeitas de que recebeu pagamentos de Vorcaro e determinou que a PF entregasse o conteúdo do material ao STF.

fonte: terra

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