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Clínica especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista é denunciada por irregularidades em atendimentos a crianças com TEA

Apuração aponta que pacientes autorizados para atendimento no município eram encaminhados para unidades em Goiânia. Caso foi levado à Polícia Civil

Uma clínica especializada no atendimento de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e situada no município de Santo Antônio de Goiás, foi denunciada à Polícia Civil após auditorias e levantamentos técnicos da Unimed Goiânia identificarem indícios de irregularidades na execução dos atendimentos e no faturamento dos serviços prestados. Os responsáveis pela clínica foram denunciados pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica, e em tese, associação criminosa.

O caso foi formalizado junto ao 4º Distrito Policial de Goiânia e envolve suspeitas de que pacientes autorizados para atendimento na unidade localizada em Santo Antônio de Goiás estariam sendo efetivamente atendidos em clínicas situadas em Goiânia, em desacordo com as condições originalmente aprovadas para a prestação dos serviços.

De acordo com a apuração, a clínica teria obtido pagamentos indevidos da operadora mediante alegação falsa de insuficiência de rede credenciada no município de Santo Antônio de Goiás, quando os atendimentos eram efetivamente realizados em Goiânia.

As irregularidades foram identificadas durante auditorias conduzidas pelo plano de saúde, que apontaram divergências entre os registros lançados nos sistemas, listas de frequência e o local real dos atendimentos. Também foram constatados lançamentos vinculados a outra unidade que já havia encerrado sua parceria com a operadora, além de orientações fornecidas por parte de funcionários das clínicas aos responsáveis dos pacientes para que solicitassem atendimento em município diverso daquele onde o serviço seria efetivamente prestado.

Fraudes em atendimentos terapêuticos

O caso envolvendo a clínica de Santo Antônio de Goiás ocorre em um momento de aumento da fiscalização sobre serviços terapêuticos destinados a crianças com TEA em diferentes regiões do país.

Em Goiás, uma investigação conduzida pela Polícia Civil no final de 2025 resultou no indiciamento de profissionais ligados a uma clínica especializada após a identificação de supostas irregularidades envolvendo registros de atendimentos, documentos assistenciais e faturamento de serviços terapêuticos. A apuração apontou indícios de lançamentos incompatíveis com os atendimentos efetivamente realizados, utilização indevida de informações de pacientes e inconsistências em registros apresentados à operadora de saúde.

Situação semelhante também motivou uma operação da Polícia Civil de São Paulo no fim de abril deste ano. A investigação teve como alvo clínicas voltadas ao atendimento de crianças com TEA suspeitas de simular atendimentos, emitir laudos falsos e buscar ressarcimentos indevidos junto a operadoras de saúde. Segundo informações divulgadas pelas autoridades paulistas, o esquema investigado teria causado prejuízos milionários ao setor de saúde suplementar.

Embora os casos possuam características próprias e estejam em diferentes estágios de apuração, eles evidenciam uma preocupação crescente das autoridades e das operadoras de saúde com práticas que possam comprometer a rastreabilidade dos atendimentos, a correta utilização dos recursos assistenciais e, principalmente, a segurança das crianças em tratamento.

Segundo o diretor de Provimento de Saúde da Unimed Goiânia, Dr. Francisco Albino Rebouças Júnior, situações dessa natureza exigem rigor na apuração por envolverem diretamente crianças em tratamento contínuo.

“Quando falamos de terapias destinadas a crianças com TEA, estamos falando de um público extremamente vulnerável. A rede credenciada é construída com base em critérios técnicos, estrutura adequada, profissionais habilitados e processos que garantam a segurança assistencial. Qualquer desvio desse modelo compromete a transparência do atendimento e a proteção dos pacientes”, afirma.

O médico destaca que a fiscalização dos serviços terapêuticos tem sido reforçada justamente para garantir que os atendimentos ocorram nos locais credenciados, com os profissionais cadastrados e nas condições aprovadas pela operadora. “É importante lembrar que nenhuma criança ficará sem atendimento. Para qualquer dúvida, a Unimed conta com um número exclusivo para atendimento de famílias de crianças com TEA. Basta entrar em contato e falar diretamente com a assistente social que esclarecerá todas as dúvidas”, reforça.

Fonte: Kasane

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