Economia

JBS e Viva unem operações e criam gigante de couros

Planta produtiva da JBS Couros — Foto: Divulgação JBS

A JBS está avançando ainda mais no mercado de couros, um dos negócios em que a companhia já tem forte presença global.

A empresa fechou um acordo com a Viva Holding para criar a JBS Viva, uma nova companhia que vai reunir parte das operações de couro dos dois grupos e terá capacidade para processar mais de 20 milhões de couros por ano, segundo as empresas.

A nova companhia terá 31 fábricas e mais de 11 mil colaboradores, distribuídos pelo Brasil, Itália, Uruguai, Argentina, México e Vietnã. A operação reúne negócios de produção, processamento e comercialização de couro da JBS e da Viva, além da fabricação e venda de produtos químicos usados no processamento.

O acordo definitivo foi assinado nesta terça-feira (15) e estabelece as regras para a criação da JBS Viva. A empresa será dividida igualmente entre os dois grupos, com 50% de participação para cada um.

Antes da conclusão do negócio, a Viva também fará uma reorganização societária para concentrar na Viva Holding as ações da Viva S.A. e separar os ativos que não farão parte da associação. A administração será compartilhada.

Quem é a Viva

A Viva é uma das maiores empresas brasileiras de processamento de couro. A companhia foi criada em 2023, a partir da união da Viposa e da Vancouros, e nasceu com capacidade para processar cerca de 7 milhões de couros por ano e faturamento estimado em R$ 3,1 bilhões.

Agora, parte dessa estrutura será combinada com os negócios de couro da JBS. A nova companhia reunirá atividades de produção, beneficiamento e comercialização de couro, além da fabricação e venda de produtos químicos utilizados no processamento do material.

O que fica fora

Apesar da união das operações, nem todos os negócios relacionados ao couro dos dois grupos serão transferidos para a JBS Viva.

Ficam de fora as atividades e os ativos de colágeno e gelatina das duas empresas. Também não entram os ativos, estoques e operações de couro ligados à unidade da JBS em Cactus, no Texas, nos Estados Unidos.

A lista inclui ainda os ativos da divisão de couros da JBS localizados na Alemanha, no Uruguai e no México, além de ativos da Viva que atualmente não são utilizados em sua operação de couro.

Esses negócios permanecerão separados e continuarão sendo explorados pelas respectivas empresas.

JBS continuará fornecendo couro

A criação da JBS Viva não significa que a relação entre a JBS e a nova companhia termina na transferência dos ativos.

Pelo acordo, a JBS S.A. vai fornecer à JBS Viva o couro cru produzido por seus frigoríficos no Brasil.

Durante o processamento, são geradas aparas e raspas de couro. A JBS Viva venderá esse material de volta à JBS, que o utilizará em suas operações de gelatina, colágeno e produtos relacionados.

Dessa forma, a JBS continuará integrada à cadeia mesmo depois da transferência de sua operação de couros para a nova companhia.

Como funcina a industria do couro?

🐂 O couro começa como pele animal, retirada principalmente nos frigoríficos, e passa por uma série de processos até se transformar no material usado pela indústria.

Essa transformação acontece nos curtumes, que fazem a preparação, o curtimento e o acabamento das peles.

No curtimento, a pele recebe tratamentos que impedem sua decomposição e a transformam em um material estável, flexível e durável. Depois, pode passar por outras etapas para ganhar características como cor, textura, espessura e acabamento.

O produto final é utilizado por diferentes setores, como automotivo, moveleiro e calçadista, entre outros.

Quando a operação será concluída?

Ainda não há uma data definida para a conclusão da operação. A criação da JBS Viva depende do cumprimento de condições previstas no acordo, etapas consideradas usuais em transações desse tipo. Só depois que essas condições forem atendidas é que os ativos serão efetivamente transferidos para a nova empresa.

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