Um mundo mais ou menos colorido.

Observando em um shopping, me deparei com um cartaz em uma vitrine, algo me despertou à curiosidade, criando até um certo incômodo. Nele havia duas figuras, as quais fazia um comparativo sobre a realidade social, em duas épocas.
A primeira, trazia uma saleta de uma casa típica dos anos de 1950. A segunda, era um estiloso ambiente entre uma sala de estar e uma varanda, dos anos atuais, do século XXI. Até aí, tudo bem, se não fosse algo que me chamou a atenção: as cores distribuídas em ambos os ambientes.
Na casa do século passado havia cores vivas, luminárias arrojadas, móveis e objetos feitos à mão, uma janela aberta que dava para um jardim multicolorido, ou seja, havia vida em abundância, que trazia um prazer em observar.
Ao contrário da figura ao lado, que era fria, simples até demais, muito tons pasteis que me deu até preguiça em ficar olhando por muito tempo. No lugar da janela, um lambril que impedia que a luz solar entrasse no ambiente sofisticado, minha análise: um ambiente morno, ou melhor, morto.
A tal da contemporaneidade trouxe muitos benefícios e inovações plausíveis, mas às vezes peca na formalidade e na frieza do requinte. Já vivemos dias tensos, cinzentos e mortos, não precisamos mais desse teor estético melancólico. Olhar uma figura inanimada de um lugar bucólico, arejado e aconchegante, me levou direto à minha infância, ao meu quintal livre e imenso, aos meus brinquedos de madeira e de osso que sobrava da sopa e do cheirinho de bolinho de farinha de trigo com canela feitos pela minha mãe.
Então fui buscar ajuda na internet para saber um pouco mais sobre essa tendência atual e encontrei a arquiteta e urbanista Andressa Oliveira, da coluna Tua Casa, do site UOL, que dizia: “Viver em uma casa simples é apostar na funcionalidade, focar no que é essencial para você e eliminar os excessos. Dessa forma é possível economizar recursos, ter uma rotina mais sustentável e facilitar a organização no dia a dia. Para descobrir como o simples pode ser incrível”, disse.
Depois da leitura, entendi que seja possível você mesclar o concreto, frio e cinza, com plantas, cores e vida, desde que haja uma harmonia de gostos, sem excessos, sem polarizações, mas uma forma de trazer um bem-estar onde você mora, afinal de contas você pode passear pelos melhores hotéis e resorts do mundo, mas nada melhor do que o aconchego do seu lar, não é mesmo?

Luiz Galvão é jornalista, escritor e presidente da Academia Canedense de Letras.



