Economia

Banco Central interrompe corte de juros e mantém a taxa Selic em 13,75% ao ano

Foto: Raphael Ribeiro/BCB

Na primeira reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) após a eleição, o Banco Central (BC) interrompeu a sequência de cinco cortes na taxa básica de juros ao manter a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4). A manutenção se deve à projeção da inflação acima da meta, ao dólar valorizado e às incertezas quanto à política econômica do governo após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A manutenção da taxa básica de juros deixa a Selic em seu menor patamar desde março de 2025, quando esteve em 13,25% ao ano. A decisão interrompeu o cliclo de cinco reduções seguidas de 0,25 ponto percentual ocorridas em março, abril, junho, agosto e setembro deste ano.

A inflação oficial acima do limite máximo e a desconfiança de que os preços não vão baixar no futuro forçaram o BC a interromper os cortes de juros. O índice de preços e a média dos indicadores que retiram itens de valor muito instável (medidas subjacentes) ganharam força e registraram alta, superando o patamar máximo aceitável de variação de preços.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes aceleraram, situando-se acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta”, diz o Copom

“Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista” – Copom, em comunicado

O impacto das contas públicas e das despesas do governo permanece no centro das atenções. O comitê destacou que o equilíbrio entre arrecadação e despesas continua sob constante avaliação para medir os impactos sobre o preço do dinheiro. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, aponta o Copom.

A escalada militar no Oriente Médio e a alta do petróleo tornam o ambiente internacional ainda mais hostil para os mercados em desenvolvimento. A escalada nos preços de investimentos (ativos) e de matérias-primas básicas cotadas em dólar (commodities) exige postura conservadora de nações em desenvolvimento (países emergentes). “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, escreve o Comitê.

O BC sinalizou prudência ao manter a Selic restritiva “por tempo prolongado” sem se comprometer com os próximos passos. “O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário, para manter a restrição adequada de forma a assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o colegiado.

“O Comitê monitora com atenção a desancoragem das expectativas de inflação para prazos mais longos na medida em que esta contribui para a determinação dos preços e aumenta o custo de desinflação.” – Copom, em comunicado

A manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano foi tomada por unanimidade pelos diretores do órgão. Todos os sete membros do comitê aprovaram a pausa no afrouxamento monetário de forma consensual, sem nenhuma divergência registrada na diretoria técnica. Votaram Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti e Rodrigo Alves Teixeira.

No segunda-feira (2), o coordenador do programa de governo da campanha de Lula à reeleição criticou o mercado financeiro. José Sérgio Gabrielli disse em artigo que, apesar de não haver promessa de ajuste fiscal na campanha de Lula, o mercado financeiro tentaria forçar um programa de redução de gastos como condição para reduzir a taxa de juros.

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