Banco Central reduz a taxa básica de juros da economia, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) decidiu, nesta quarta-feira (16), cortar a taxa básica de juros da economia em 0,25 ponto percentual, reduzindo a Selic de 14% para 13,75% ao ano. É o quinto corte consecutivo da taxa básica de juros da economia. A decisão foi unânime.
A selic é o princioal instrumento do BC para conter a inflação, que tem efeitos, principalmente sobre a população mais pobre. Quando a taxa sobe, o crédito fica mais caro, o que reduz empréstimos, investimentos, o consumo e ajuda a conter a inflação. Quando ela cai, o crédito fica mais barato e estimula novos negócios, contratações e os gastos das pessoas.
Essa foi a quinta redução seguida de 0,25 ponto percentual decidida pelo Copom, órgão formado pelos diretores do Banco Central. A decisão repete os cortes realizados nas reuniões do colegiado em março, abril, junho e agosto.
A desaceleração da inflação oficial abriu espaço para o corte. O índice de preços (inflação cheia) e a média dos indicadores que retiram itens de valor muito instável (medidas subjacentes) perderam força e ficaram abaixo do teto do intervalo de tolerância da meta de inflação, que é 4,5%. “Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média das medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda.
” Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, permanecem mais elevados que o usual, com assimetria altista. – Copom, em comunicado
A incerteza internacional exige cautela dos países em desenvolvimento, diz o Copom. A instabilidade nos preços de investimentos (ativos) e de matérias-primas básicas cotadas em dólar (commodities) gerada pela crise no Oriente Médio demanda postura defensiva de nações em desenvolvimento. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, escreve o Comitê.
O comportamento das contas públicas federais continua sob vigilância. O acompanhamento do equilíbrio entre arrecadação e gastos do governo segue no radar do colegiado por afetar as condições de mercado e o custo da desinflação. “O Comitê segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal doméstica impactam a política monetária e os ativos financeiros, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”, aponta o Copom.
O Banco Central evitou prometer novos cortes na Selic ao condicioná-los a novos sinais de queda no IPCA. O órgão não garantiu reduções automáticas e condicionou a extensão final desta temporada de reduções (ciclo de calibração) às informações que chegarem sobre a alta de preços. “Em decorrência da dinâmica dos riscos associados à evolução dos preços, o Comitê reafirma que a magnitude total do ciclo de calibração será estabelecida à luz de novas informações visando assegurar a convergência da inflação à meta”, diz o colegiado.
“O Comitê seguirá acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta.” – Copom, em comunicado
A redução da taxa Selic para 13,75% ao ano foi unânime. Todos os sete diretores votaram de forma consensual a favor da queda de 0,25 ponto percentual, sem qualquer divergência na diretoria. Votaram Gabriel Muricca Galípolo (presidente), Ailton de Aquino Santos, Gilneu Francisco Astolfi Vivan, Izabela Moreira Correa, Nilton José Schneider David, Paulo Picchetti, e Rodrigo Alves Teixeira.

Atuais diretores do Banco Central em reunião do Copom – Foto: Raphael Ribeiro/Banco Central
O Comitê apresentou a projeção para a inflação acumulada em 2026: 5,2%. Para 2027, o Copom projeta IPCA de 3,9%. Para o primeiro trimestre de 2028, a projeção é de inflação a 3,2%.
O mercado financeiro espera que o corte de hoje não estimule a inflação. A aposta é que o IPCA termine 2026 em 4,90%. Essa projeção era maior na semana passada: 5%, segundo o Boletim Focus, relatório feito a partir das projeções de aproximadamente cem instituições consultadas pelo Banco Central.



